sábado, 27 de junho de 2009

Acabou pra quem?

Amor verdadeiro. Submissão verdadeira. Cegueira completa. Obsessão romantizada. Tudo a mesma coisa.
Querem que eu me trate, por eu estar há 6 anos sentado neste muro, esperando que ela me aceite. Existe remédio contra o amor? Dizem que não. Mas tem contra obsessão romantizada, o que é a mesma coisa. Como um remédio vai dizer o que posso e o que eu não posso amar? O que eu posso ou não posso pensar? Não sei. Esses remédios devem acabar com qualquer tipo de pensamento. Mas dez anos depois sem pensar, isso muda o meu primeiro pensamento depois que o efeito passar?
Há quem admire, há quem ache que é desespero, há quem ache os dois. Todos concordam que não é normal. Num mundo tão abarrotado de gente de todos os tipos, "raças", crenças e culturas, ninguém é único em todos os aspectos, ninguém é insubstituível no meio de quase 7 bilhões de habitantes. No entanto, ainda existe gente como eu que quer aquele alguém e mais ninguém. Não há critérios, lógica, razão, por quê de ser aquela pessoa: o coração apenas aponta, isso é tudo.
Aí começa o inferno se a pessoa amada não te ama, ou não tem nada a ver com você. Faz a sua vida uma miséria. Nada é bom o bastante. Nada preenche as expectativas. Ela só parece esboçar um sorriso quando você não é você mesmo. Você age como se não tivesse escolha. Nada nela se destaca. Nada a faz a única mulher do mundo. Mas contra o coração não há fatos ou argumentos. E tente mostrar que ele está errado para você ver o que ele faz...
Perdi a conta de quantas rosas já murcharam em minhas mãos esperando por você. Se estou cansado? Sim. Vou desistir? Gostaria de poder. Mas o amor é a maior força deste mundo e nada pode vencê-lo. Já tentei ir embora, mas o meu corpo morria a cada passo dado. Fiquei a quinze metros da morte certa.
Pessoas passam por mim e desejam ter o meu amor. Invejam-na por ter alguém tão apaixonado. Que idiotas... Falam isso como se fosse um lazer ter o amor de alguém nas mãos. Mais idiotas ainda são aqueles que desejam amar assim. Não sabem a prisão que é isso. Se entregar completamente a quem não te quer, ou só te magoa. Ou quer um outro alguém.
Afinal, esse casamento acabou para quem? Eu continuo pensando, amando, e não consigo olhar para mais ninguém. Continuo disposto a criar uma família contigo e entregar o resto da minha vida. É fácil desistir de alguém que você só tem expectativas. Esse amor só dura 100 dias e 100 noites. Agora quando você já vivenciou e sabe como é.. nada parece te fazer esquecer. Milhões de brigas, decepções e lágrimas ainda são melhores do que ficar sozinho. Acredite, eu sei dos dois lados.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não

Estranho como é na negação que há a afirmação do ser. É no "não" que se cria uma identidade. É no "não" que se exerce a escolha de destinos. No "não" fecha-se para o mundo para criar o próprio. O "não" é a maior conquista que o individualismo pode alcançar.
Individualismo... indivíduo dualista? Será que nem na palavra o indivíduo está sozinho? Então o indivíduo aparece ao negar-se do resto que pertence. E ficamos nesta eterna dualidade... Queremos nos afirmar, ter a nossa identidade única e ao mesmo tempo nos relacionar com todos numa troca de amor inesgotável, onde tanto faz que identidade nós assumimos. E mesmo quando atingimos essa troca de amor inesgotável entre vários, não nos sentimos especiais, sentimos que não temos identidade, logo, não estamos felizes.
A dualidade está em tudo nas nossas vidas. É difícil fazermos alguma coisa e não pensarmos "mas o certo seria isso" ou "mas o que eu queria fazer mesmo era o errado". Como se fossemos anjos com demôniozinhos na orelha a nos sussurar, e vice-versa. E usamos o "não" para descartar todas as idéias que não nos refletem e escolhemos apenas uma. Um destino escolhido, uma escolha, uma decisão quando tudo que somos é uma dualidade de desejos.
Por isso é importante o equilíbrio em nossas vidas, pois não somos nem uma coisa nem outra. O mundo atualmente exagera no "não". Eu mesmo me vejo dizendo "não" demais para algumas pessoas, "sim" demais para outras pessoas e "não sei, talvez depois" para mim mesmo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O que posso fazer? É a verdade.

   Roberto acordou na cama de outra... que outra? Não sabe. Mas era linda.
   - Tenho que ir.
   Levantou-se e começou a se arrumar.
   - Por quê? – perguntou a outra.
   - Tenho uma reunião para ir agora.
   - Isso não é muito clichê?
   - O que posso fazer? É a verdade. Você sabe que eu sou um homem de negócios. Meus horários quem fazem são meus clientes.
    Mentira. Terminou de se arrumar rapidamente e foi.
   No caminho parou em um sinal vermelho, com vista para um outdoor com uma propaganda de perfume. Era uma foto de uma mulher de costas, olhando fixamente para a câmera através de um espelho numa penteadeira. Roberto conhecia aquela mulher e conhecia aquela pose. Era mesma pose com que ela havia olhado para ele numa manhã seguinte.
   Quando Roberto lembrava-se dela, a primeira coisa que lhe vinha à mente era de um sorvete maravilhoso, mas que saiu de fabricação. Sequer teve a chance de enjoar dela.
   Era típico dela olhar para um espelho. Num ato de auto-admiração, ela olha para si. Num outro, ela observa quem a olha. Se faz de indiferente observando tudo. Olha para trás sem parar de dar as costas. Olhar para um espelho para ela é uma filosofia de vida.
   - Tenho que ir. – disse ela.
   - Já?
   - Tenho uma apresentação para fazer agora.
   - Às nove da manhã? Você não tem uma desculpa melhor não?
   - O que posso fazer? É a verdade. Não sou eu que faço meus horários. São meus clientes.
   Riu-se de como agora usava a mesma desculpa para ir embora. É verdade que nunca mais experimentou aquele sabor. Para experimentá-lo de novo, tentava ser o sabor. Tentava agir como ela, ver como ela, sentir como ela, se aproximar dela. Saber o que a faz de tão especial. Quem sabe assim esse sabor perderia o encanto e ele poderia passar para outro. Quem sabe o próprio Roberto não se tornaria mais interessante de ser degustado em outras bocas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Romeu sem conhecer Julieta

Escrevo para te alcançar/ Escrevo para te conhecer/ Escrevo para te ver/ Escrevo para te descobrir/ Escrevo para me comunicar com você/ Escrevo como quem reza para alguém distante/ Escrevo porque não me sobra mais nada a fazer/ Escrevo para te falar que tentei seguir com a minha vida sem você/ Escrevo para te dizer que procurei outras pessoas, mas nelas só encontrei infímas partes do que você é para mim/ Escrevo para te achar há tanto tempo que achei que você não existia/ Escrevo para te dizer que tentei me contentar com pequenas partes de você em outras pessoas/ Escrevo para te dizer que eu estava enganado/ Escrevo para me lembrar da beleza de pequenos gestos seus/ Escrevo porque te perdi do meu olhar/ Escrevo para me redimir/ Escrevo para que me perdoe/ Escrevo para que eu ache que mereça o seu perdão/ Escrevo com a esperança de que você, onde quer que esteja, saiba que eu estou pensando em você/ Escrevo para que mesmo sem ter vivido contigo, mas não deixo de sentir a sua falta/ Escrevo para dormir em seus braços.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Funny Fact

Estava eu numa caminhada/corrida hoje de manhã, numa praça aqui perto, quando notei tábuas inclinadas para fazer abdominais e tive a brilhante idéia de me exercitar ali. Alguns segundos depois continuo minha caminhada.

Depois de uma volta(e apenas uma) vejo uma égua coçando a bunda na mesma tábua onde fiz meus abdominais.

Mais uma volta, na qual a minha mente ficou intercalando entre puro choque e frases do tipo "Deus, por que eu Deus?!", vejo aquela mesma égua(aqui dito nos dois sentidos) com outras 3 éguas passeando pela praça. Então entendi que ela estava se arrumando para sair com as amigas e, nunca se sabe, pro caso de encontrar pelo caminho um garanhão(literalmente!).

O que eu quero ensinar com essa história é que...

Moral da história: Nunca, NUNCA use equipamentos de musculação de uma praça pública!

E por favor: Desta vez, sem comentários.

Edit: Acabaram de comentar(claro) e eu percebi que talvez a égua tenha sentido o meu cheiro e eu seja o garanhão. Isso faz muito sentido, já que eu sou sargitário.