quarta-feira, 27 de maio de 2009

Em outro nível

Ela o admirava como se coubessem o mundo nos olhos dele. Ele tinha lido vários livros, feito várias viagens, trocado idéias com vários outros intelectuais e ela ainda no seu livrinho sobre Rousseau. Via-o conversar com os seus amigos sobre artistas da música clássica, jazz, blues, rock, mpb, e todos os outros gêneros, com o pré-requisito de nenhum desses artistas jamais terem tocado no radinho a pilha dela. Sobre a arte da pintura ele sabia toda a história e o traço dos principais nomes. Ela olhava aqueles mesmos rabiscos e se sentia uma analfabeta com uma poesia do Mario Quintana nas mãos, pois não sentia absolutamente nada.
 
Ele perguntou ao grupo se alguém sabia quanto havia sido o resultado do jogo do Flamengo ontem. Era a chance dela. Tinha escutado brevemente na tv o resultado do jogo enquanto almoçava. Com os olhos cheios de brilho por finalmente uma oportunidade de falar ter aparecido, ela disse: "Trê.."
 
- Três a zero. - cortou alguém no grupo.
- Com gol de quem? - ele perguntou.
 
E a conversa continuou. Ela ficou numa tristeza contida, ali, no seu canto, fingindo interesse pela conversa. "Como posso querer este homem se tudo que ele me faz sentir é o quanto eu sou burra..."pensou. Pegou suas coisas e foi embora. Se ficassem juntos, ela sempre iria se ver como um atraso na vida dele e que ele estava fazendo um favor em estar com ela. Ele secretamente pensaria da mesma forma.

Amor de verão

- Hum... nossos signos combinam.

Ela achava interessante mas que era pura coincidência. Ele fazia o seu próprio estudo sobre as pessoas de cada signo. Se encontraram numa viagem dele pela cidade dela. De um xaveco horrível nasceu a oportunidade de se conhecerem, e se conheceram bem nas 3 semanas em que ele ficou. Ela descobriu coisas nele que nem sabia que gostava. Ele gostava da inexperiencia dela, tentando se fazer de descolada quando tudo é uma primeira vez.

- Nosso tempo acabou.

Após essa verdade devastadora, se beijaram uma vez para se consolarem e ele foi embora.

Coincidencia ou não, o fato é que toda vez que ela conhece alguém interessante, tem uma pergunta ela não consegue conter:

- Qual é o seu signo?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Hoje a chuva me ensinou.

Acabo de fazer prova, ainda falta uma hora para receber a próxima. Inquieto, resolvi não perder tempo, pois tinha virado a noite e tinha que dormir ao máximo até o próximo compromisso daqui poucas horas. Pego os ônibus e vou até uma locadora deixar um dvd. Chegando lá, levando chuva descubra que ainda falta uma hora para a locadora abrir. "Ô m****.".

Ali perto uma cafeteria, me chamando para comparecer. Não qualquer cafeteria, mas aquela onde tinha um pão de queijo especial, que eu comia no auge dos meus 6 anos. O gosto nostalgico daquele pão sempre me leva para um tempo onde nada se explicava, tudo era mágico. Bom, você sabe o que é ter seis anos.

Sentado numa mesa perto da janela, eu via a chuva cair pela rua, numa simplicidade que até mesmo um cego como eu pude perceber. Os pingos caiam sem violência. Não batiam, se uniam ao chão, aos carros.  No meu olhar tudo acontecia tão devargar, e sem nenhum som. O mais perfeito clichê de câmera lenta. Esqueci das provas, trabalhos, da aula que eu estava matando por causa de uma locadora que nem tinha aberto ainda. Eu que fui para aquela cafeteria para me refugiar da chuva, agora era o seu mais ardoroso espectador. Ela parecia saber disso, pois não se alterou enquanto eu pude admirar.

Aquela cafeteria, tão bem decorada com tons de marrom e bege, silenciosa e espaçosa, destoava demais com o resto da cidade. Ali eu me sentia num café em NY, Paris, Santiago, Londres, Barcelona... Tanto faz, o sentimento com certeza seria o mesmo. É um pequeno recanto do paraíso, em meio uma cidade de favelas, onde pessoas como nós, de uma classe afortunada, podemos recobrar as forças para voltar ao inferno e continuar a tentar melhorá-lo. Vendo o menino pedindo esmola no sinal é quase como se alguém viesse me cututar e dizer: "Agora que você já descansou volte a lutar". É um descanso cheio de cumplicidade mesmo, em meio ao crime do sofrimento de tantas pessoas que não estamos fazemos nada para ajudar. Lembrei das cidades no interior completamente imundadas. Fiquei muito triste. Percebi como tinha sido bom esquecer de tudo aquilo. O esquecimento é uma benção mesmo, só mesmo naquele momento, olhando para a chuva eu tinha sentido paz. Pensei em reencarnação, como ela seria inútil sem o total esquecimento do passado. Certamente existiam muitas coisas que seriam capazes de destruir uma vida se continuassemos a focarmos nelas, por mais eternas que estas vidas fossem.

Tive vontade de tirar o meu caderno e começar a escrever tudo isso, mas fiquei com vergonha, como se já não bastasse eu estar lá "teoricamente" mal vestido para os padrões daquele lugar, ainda tiraria um caderno no meio de todos aqueles notebooks. "Paulo, vais viver pela metade se ficar se importando com o que os outros pensam. O que eles fazem por você?" raciocinei. Mesmo assim nada fiz, é algo que ainda estou treinando. E depois, a chuva continuava ali e eu queria continuar com aquele sentimento de paz... depois eu tento consertar os meus defeitos. Pensei no meu último post e nos comentários que recebi. Pensei em escrever algo com a frase "me ensine a sorrir" como resposta. Mas hoje não. Hoje eu tinha percebido a chuva no meio de uma situação bem chata. Pensei na influência das pessoas que conheci no meio disso tudo.. elas já estavam me ensinando. Não digo que já sei, ou que amanhã conseguirei perceber a mesma chuva, mas hoje eu não preciso que me ensinem. Hoje não. Hoje a chuva me ensinou.

sábado, 23 de maio de 2009

O mundo sem mulheres! (Arnaldo Jabor)

O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê?

O sujeito quer ficar famoso pra quê?

O indivíduo malha, faz exercícios pra quê?

A verdade é que é a mulher o objetivo do homem.

Tudo que eu quis dizer é que o homem vive em função da mulher.

Vivem e pensam em mulher o dia inteiro, a vida inteira.

Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente.

Homem algum iria fazer alguma coisa na vida para impressionar outro homem, para conquistar sujeito igual a ele, de bigode e tudo?

Já dizia a velha frase que 'atrás de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.
O dito está envelhecido. Hoje eu diria que 'na frente de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.

É você, mulher, quem impulsiona o mundo.

É você quem tem o poder, e não o homem.

É você quem decide a compra do apartamento, a cor do carro, o filme a ser visto, o local das férias.

Bendita a hora em que você saiu da cozinha e, bem-sucedida, ficou na frente de todos os homens.

E, se você que está lendo isto aqui for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher.

Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens.

Já pensou?

Um casamento sem noiva?

Um mundo sem sogras?

Enfim, um mundo sem metas.

ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS OS HOMENS GOSTAM TANTO DE MULHERES:

1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que seja só xampu.

2- O jeitinho que elas têm de sempre encontrar o lugarzinho certo em nosso ombro, nosso peito.

3- A facilidade com a qual cabem em nossos braços.

4- O jeito que tem de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito.

5- Como são encantadoras quando comem.

6- Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.

7- Porque estão sempre quentinhas, mesmo que esteja fazendo trinta graus abaixo de zero lá fora.

8- Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e rabo-de-cavalo.

9- Aquele jeitinho sutil de pedir um elogio.

10- O modo que tem de sempre encontrar a nossa mão.

11- O brilho nos olhos quando sorriem.

12- O jeito que tem de dizer 'Não vamos brigar mais, não..'

13- A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.

14- O modo de nos beijarem quando dizemos 'eu te amo'.

15- Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.

16- O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.

17- O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.

18- O jeitinho de dizerem 'estou com saudades'.

19- As saudades que sentimos delas.

20- A maneira que suas lágrimas tem de nos fazer querer mudar o mundo para que mais nada lhes cause dor.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Porque certas coisas não seguem adiante por si mesmas

Antes tínhamos nada e isso nos bastava
Todos nossos sonhos, todos nossos problemas podiam esperar
Presente, passado e futuro se confundiam num só momento
Estar contigo era o princípio, meio e fim
Fim? Que fim?
Não lembrava sequer ter vivido antes encontrar de você.
Era vida? Importa isso agora?
Deixe-me viver o meu fim. Meu eterno começo. Tanto faz.
De repente poderíamos ter tudo e nada bastaria.
A ilusão acabou.

Porque chamas de ilusão? Não viveste isso no mundo real? Não foi real?
Este teu desejo secreto da morte não me engana.
Querias por fim em tudo.
Acabar com o universo que te cerca num eterno gozo que de nada seria diferente do vazio.
Vazio. Eras isto antes dela e depois dela.
Presente, passado e futuro num só momento ainda são a sua realidade.
Transformaste a tua antiga realidade na presente ilusão, que é a tua atual realidade.
Aprisionado na própria ilusão de felicidade.
Vê? A realidade é a gente que faz.
O problema é companhia? Aquela garota passando na rua olhou pra você. Você não.
Mal sabe você, mas ela também queria alguém como você.
Ela vai voltar para casa e chorar pela solidão não merecida.
A vida tentou lhe apresentar a ela, mas você não quis. Preferiu um passado feliz que hoje só lhe traz dor.
As coisas são assim mesmo. A ajuda sempre está lá, mas só vemos quando pedimos.
Peça.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A verdade

Este é um texto que eu escrevi há algum tempo e achei:

Domingo, 15 Julho 2007


Decidi escrever sobre a verdade. Aquela verdade que nos incomoda, que nos assusta, que não cremos… mas ainda sim ela existe.

Me perguntei se a verdade está acima de qualquer preço. A verdade deve ser sempre dita, nua e crua a qualquer tempo? Logo, uma voz na minha cabeça responde: “Não, cada verdade a seu devido tempo. Assim como na ciência, onde cada descoberta fomenta o descobrimento do conhecimento que virá, assim deverá ser procedimento com todas as verdades, sejam do mundo, sejam do coração.”

Logo, refleti sobre as palavras que escutei em minha mente. Sempre chamei essa voz de consciência, mas já faz um tempo que desconfio que seja outra pessoa. Enfim, depois me lembrei de um texto que eu li sobre fingimento, o que me parte em dois: “É certo que a verdade não deve ser dita a seu tempo, mas devemos responder com mentira?”. Não escuto nada da minha outra voz. Talvez ela não saiba, talvez ela espera que eu descubra sozinho… ou talvez seja porque eu não esteja preparado para escutar esta verdade.

Toda essa reflexão começou porque eu me perguntei se devo dizer “eu não te amo” para alguém… Alguém que se entregou de alma e coração para mim e eu retribuo com ingratidão e verdade. Será que devo descartar o amor de alguém porque ela não tem a altura, o peso, as cores que me agradam, ou o jeito, trejeitos e respostas que me seduzem? Trocar o amor e a felicidade de alguém, para buscar o amor e a felicidade própria, sem garantia de sucesso? E se eu encontrar um outro alguém, alguém que eu ame profundamente mas que não sou correspondido? É justo quere-la só pra mim? Sei que não, mas não aceito a verdade. E ela continua a existir…

Temo ter condenado duas pessoas à infelicidade, ou invés de apenas a mim mesmo. Se eu tivesse ficado com quem me ama, ao menos ela ficaria feliz. Agora que estamos separados, ambos estamos tristes. Ela, espera até que apareça alguém que a ame e fica com esta pessoa: ela não quer que ninguém sofra a rejeição que recebeu de mim. Eu, corro atrás de alguém que não me ama, e logo sou rejeitado. Ela, pode vir a ser feliz, pelo fato de ser amada. Eu, jamais serei feliz pelo fato de ter sido honesto comigo mesmo e com ela. A solidão jamais me fará feliz, não importa se agi com a verdade ou não.

Algo que eu nunca superei foi ter conseguido fazer com que alguém deixasse de me amar. Duas pessoas se propõem a ficarem juntos pela eternidade, e poucos meses depois o amor acaba. De que adiantou então ter ficado com esta pessoa só para não magoá-la com o fim? O fim aconteceu do mesmo jeito. E o engraçado é que enquanto ela deixava de me amar, eu que não a amava, comecei a amá-la. Daí, tiro a conclusão de que estou mais perdido do que quando comecei a escrever esse texto. Comecei com respostas e palavras diferentes e eloqüentes. Termino agora com dúvidas e repetindo as palavras.

A verdade é que algumas coisas mudam, outras não. Certo é que a verdade existe, quer você acredite ou não, basta que você a faça. Amores nascem e morrem. O “para sempre” pode acabar amanhã, seja com a morte ou a indiferença de alguém. E o “sim” pode ser dito depois de amanhã ou agora mesmo, assim como nunca nesta vida. A constante do universo é a mudança dele. A certeza de nossas vidas é a incerteza do que acontece nela. É deprimente, mas não seria melhor de outra forma.

Devia ter ficado com a garota? Não sei. E desta vez o tempo não irá me responder: ele só responde a uma pergunta, a que você faz com o seu presente. Não se pode saber sobre as conseqüências do que não aconteceu, o que me faz concluir que existem muito mais perguntas do que respostas neste universo. Terá a verdade o poder de responder todas?

domingo, 3 de maio de 2009

Um simples abraço sincero

Rafael estava na cama com uma linda mulher nua. Haviam passado uma ótima noite juntos. Gostava do jeito dela de pensar, de falar, de ver e de não-pensar também algumas coisas. Seus gestos, por menores que fossem, lhe faziam querer ficar mais e mais junto dela. Queria muito dar prazer a ela. Não podia falhar nisso. Tinha que ser perfeito. Só assim poderia ficar quite com ela. Só assim ela gostaria dele.
Então, o pesadelo #1 de todos os homens acontece: o junior não sai pra brincar. Rafael entra em parafuso. "COMO ASSIM?!" pensou. Não havia justificativas (não alguma que ele aceitasse como desculpa). Sem que ele soubesse, sua mente estava cansada de sexo. Já tinha feito tantas vezes que o seu subconsciente estava achando aquilo repetitivo, mecânico, com o mesmo final de sempre. A verdade é que há algum tempo ele só estava fazendo pelo prazer delas, nem tanto por si. Mas ele não aceitava isso, e com razão! Como assim cansado de sexo?! Se sexo enjoasse o mundo não estaria chegando a casa dos 7 bilhões de habitantes, mesmo com tantos médotos anti-concepcionais existentes há meio século.
Talvez estivesse muito preocupado em dar prazer àquela linda mulher, sob pena dela não gostar dele. Fato é que não conseguiu mesmo satisfazê-la. Se sentiu a pior pessoa do mundo, incapaz de dar prazer a quem ele gosta. Não conseguia se perdoar. No final das contas, ela se mostrou compreensiva e simplesmente dormiu abraçada nele, com a cabeça no seu peito. Também sem saber porque, Rafael sentiu um enorme prazer naquele momento. O jeito como ela o abraçou, buscando aconchegar-se nele como se ele fosse o bicho de pelúcia que ela mais ama desde a infância. Aquela intimidade, aquele conforto, aquela emoção ele não teria nem tivesse feito o kamasutra inteiro 3 vezes. Rafael nunca esqueceu-se da noite em que sexo foi reduzido sem perdas a um simples abraço sincero.