Este é um texto que eu escrevi há algum tempo e achei:
Domingo, 15 Julho 2007
Decidi escrever sobre a verdade. Aquela verdade que nos incomoda, que nos assusta, que não cremos… mas ainda sim ela existe.
Me perguntei se a verdade está acima de qualquer preço. A verdade deve ser sempre dita, nua e crua a qualquer tempo? Logo, uma voz na minha cabeça responde: “Não, cada verdade a seu devido tempo. Assim como na ciência, onde cada descoberta fomenta o descobrimento do conhecimento que virá, assim deverá ser procedimento com todas as verdades, sejam do mundo, sejam do coração.”
Logo, refleti sobre as palavras que escutei em minha mente. Sempre chamei essa voz de consciência, mas já faz um tempo que desconfio que seja outra pessoa. Enfim, depois me lembrei de um texto que eu li sobre fingimento, o que me parte em dois: “É certo que a verdade não deve ser dita a seu tempo, mas devemos responder com mentira?”. Não escuto nada da minha outra voz. Talvez ela não saiba, talvez ela espera que eu descubra sozinho… ou talvez seja porque eu não esteja preparado para escutar esta verdade.
Toda essa reflexão começou porque eu me perguntei se devo dizer “eu não te amo” para alguém… Alguém que se entregou de alma e coração para mim e eu retribuo com ingratidão e verdade. Será que devo descartar o amor de alguém porque ela não tem a altura, o peso, as cores que me agradam, ou o jeito, trejeitos e respostas que me seduzem? Trocar o amor e a felicidade de alguém, para buscar o amor e a felicidade própria, sem garantia de sucesso? E se eu encontrar um outro alguém, alguém que eu ame profundamente mas que não sou correspondido? É justo quere-la só pra mim? Sei que não, mas não aceito a verdade. E ela continua a existir…
Temo ter condenado duas pessoas à infelicidade, ou invés de apenas a mim mesmo. Se eu tivesse ficado com quem me ama, ao menos ela ficaria feliz. Agora que estamos separados, ambos estamos tristes. Ela, espera até que apareça alguém que a ame e fica com esta pessoa: ela não quer que ninguém sofra a rejeição que recebeu de mim. Eu, corro atrás de alguém que não me ama, e logo sou rejeitado. Ela, pode vir a ser feliz, pelo fato de ser amada. Eu, jamais serei feliz pelo fato de ter sido honesto comigo mesmo e com ela. A solidão jamais me fará feliz, não importa se agi com a verdade ou não.
Algo que eu nunca superei foi ter conseguido fazer com que alguém deixasse de me amar. Duas pessoas se propõem a ficarem juntos pela eternidade, e poucos meses depois o amor acaba. De que adiantou então ter ficado com esta pessoa só para não magoá-la com o fim? O fim aconteceu do mesmo jeito. E o engraçado é que enquanto ela deixava de me amar, eu que não a amava, comecei a amá-la. Daí, tiro a conclusão de que estou mais perdido do que quando comecei a escrever esse texto. Comecei com respostas e palavras diferentes e eloqüentes. Termino agora com dúvidas e repetindo as palavras.
A verdade é que algumas coisas mudam, outras não. Certo é que a verdade existe, quer você acredite ou não, basta que você a faça. Amores nascem e morrem. O “para sempre” pode acabar amanhã, seja com a morte ou a indiferença de alguém. E o “sim” pode ser dito depois de amanhã ou agora mesmo, assim como nunca nesta vida. A constante do universo é a mudança dele. A certeza de nossas vidas é a incerteza do que acontece nela. É deprimente, mas não seria melhor de outra forma.
Devia ter ficado com a garota? Não sei. E desta vez o tempo não irá me responder: ele só responde a uma pergunta, a que você faz com o seu presente. Não se pode saber sobre as conseqüências do que não aconteceu, o que me faz concluir que existem muito mais perguntas do que respostas neste universo. Terá a verdade o poder de responder todas?
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