Ela o admirava como se coubessem o mundo nos olhos dele. Ele tinha lido vários livros, feito várias viagens, trocado idéias com vários outros intelectuais e ela ainda no seu livrinho sobre Rousseau. Via-o conversar com os seus amigos sobre artistas da música clássica, jazz, blues, rock, mpb, e todos os outros gêneros, com o pré-requisito de nenhum desses artistas jamais terem tocado no radinho a pilha dela. Sobre a arte da pintura ele sabia toda a história e o traço dos principais nomes. Ela olhava aqueles mesmos rabiscos e se sentia uma analfabeta com uma poesia do Mario Quintana nas mãos, pois não sentia absolutamente nada.
Ele perguntou ao grupo se alguém sabia quanto havia sido o resultado do jogo do Flamengo ontem. Era a chance dela. Tinha escutado brevemente na tv o resultado do jogo enquanto almoçava. Com os olhos cheios de brilho por finalmente uma oportunidade de falar ter aparecido, ela disse: "Trê.."
- Três a zero. - cortou alguém no grupo.
- Com gol de quem? - ele perguntou.
E a conversa continuou. Ela ficou numa tristeza contida, ali, no seu canto, fingindo interesse pela conversa. "Como posso querer este homem se tudo que ele me faz sentir é o quanto eu sou burra..."pensou. Pegou suas coisas e foi embora. Se ficassem juntos, ela sempre iria se ver como um atraso na vida dele e que ele estava fazendo um favor em estar com ela. Ele secretamente pensaria da mesma forma.
2 comentários:
que forte...
nam. um pouco de cazuza pr'esse homem!
"Dizem que tô louco
Por te querer assim
Por pedir tão pouco
E me dar por feliz
Em perder noites de sono
Só pra te ver dormir
E me fingir de burro
Pra você sobressair"
:D
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