Emily olhava a chuva pela janela, sem ter o que pensar. Nada poderia ser feito, então ela apenas esperava. Seu amor havia partido para a guerra. Sem filhos, sem vínculos matrimoniais, nada alimentava a razão daquela espera. E ela continua a esperar.
Os pais já lhe impusseram que se casasse com um homem da lei escolhido por eles. Ele não era mau, mas ela já não tinha mais um coração para dar. O homem para quem ela havia dado precisaria muito mais dele. Era um soldado raso, seria o primeiro nas fileiras contra as trincheiras do inimigo. Os pais dele não tinham esperança de que voltasse vivo, mas ela tinha. Tinha que ter.
Cinco anos já haviam passado. Durante esse tempo, muitas vezes após um relâmpago ela corria no meio da chuva, pensando tê-lo visto. Tão rápido ele desaparecia quanto aquela luz. Emily sentia o relâmpago cair sobre si quando isso acontecia. Aos poucos ela foi deixando de sair de casa para melhor enxergar se ele vinha. Ficava apenas parada em frente aquela janela.
Até aquele dia, em que decidiu sair da janela. Foi para a cama e chorou o resto da noite. A chuva, sua amiga, choveu torrencialmente tentando lhe chamar de volta. Mas não haveria volta. Ela deu todo amor que poderia dar para ele na sua ausência. Aguentou tudo que poderia aguentar de sua família. Ela chorava de consciência limpa, sabendo que não poderia ser de outra maneira. Chorava por ter constatado isso, mas não se arrependia de forma alguma. Tinha que viver aquilo até o fim para poder ter alguma chance de ser feliz nos braços de outro alguém. Se havia algum arrependimento, era de um dia ter conhecido ele.
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