quinta-feira, 30 de abril de 2009
A espera
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Suicídas, o mundo precisa de vocês
Odeio falar sobre suicídio. Odeio com falar com gente que quer cometer suicídio. Sempre me acho um hipócrita tentando defender a vida, quando eu mesmo não sinto o valor que ela tem.
Muitas pessoas, como eu, não têm grandes problemas. Não passam fome, não são aleijados, possuem um teto e bastante tempo livre para pensar até em qual é o sentido em continuar vivendo. E do nada, sem que ninguém desconfie, sem ter nunca terem feito uma cara de tristeza para alguém, suicidam-se. Ninguém entende. "Estátuas e cofres. E paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu.". Uma vida tão cheia de expectativas, oportunidades que outros tantos rezam pra ter, jogada fora. É porque realmente, as pessoas do lado de fora não entendem...
A maioria das pessoas (mas bem menos do que se imagina) quer viver pra poder conseguir terminar aquele curso, conseguir aquele trabalho, comprar aquele carro. Depois conseguir um trabalho melhor, trocar de casa, fazer aquela viagem e trocar o carro. Depois fazer cursos, fazer novas viagens, escrever um livro e talvez, ter uma família. E assim vai... Mas quando uma pessoa percebe a rotina em tudo isso, que um carro novo é só um carro novo, uma casa nova é só uma casa nova, uma viagem é só uma viagem, ver como tudo isso é repetitivo e sem sentido. A mídia tem por objetivo consumista de colocar na nossa cabeça que nunca estamos satisfeitos, não importa o quanto você tenha: Nunca é o suficiente porque sempre se pode ter mais/ sempre se pode ser mais feliz. Algumas pessoas enxergam isso a longo prazo, fora as decepções eventuais com algumas pessoas em nossas vidas e o risco/paralelo entre quanto mais você gosta de alguém, mais vai lhe machucar quando ela lhe decepcionar (e ela vai lhe decepcionar, porque não há ser humano que não erre, nem que consiga preencher as expectativas de alguém): essas pessoas são chamadas de depressivas e são atraídas ao suícidio.
Pessoas assim são mais humanas do que as outras, porque são tão sensíveis ao que acontece consigo e com as pessoas seu redor que conseguem perceber que tudo está errado. Claramente o mundo está uma droga, e as pessoas depressivas enxergam isso com maior clareza. É justamente por isso que elas são tão importantes: só elas vão sofrer tanto até o ponto em que vão querer mudar. Só elas vão ver que está tudo errado e vão querer mudar... pessoas normais seguem o rumo, fazendo algumas mudanças apenas quando é conveniente e se não for difícil, senão deixa como está.
O filme do Patch Adams, baseado em uma história real, retrata a história de um cara que tentou se matar várias vezes, não tinha dinheiro, casa, amigos, trocava de emprego sempre, órfão, terminou se internando num hospício. Lá ele percebeu como poderia ajudar pessoas depressivas como ele. Decidiu ser médico para conhecer e ajudar as pessoas nos seus momentos mais difícieis. Então, um cara que tinha mais de 40 anos, fez vestibular e entrou pra medicina. Comprou briga com os colegas porque ele agia como palhaço nos anos 60, e todo mundo queria ser respeitado como médico. Foi até expulso da faculdade com a justificativa de ser "excessivamente feliz". O que eu quero dizer é ele tinha mais de 40 quando decidiu começar a viver, e ainda conseguiu ser feliz. E aquela constante vontade que ele tinha de se matar, na verdade era repúdio a toda forma de sofrimento. Ele era super sensível quanto a isso e por isso sofria demais.
Suicídas, o mundo precisa de vocês. Só vocês vêem o mundo como ele está. Só vocês vêem as mudanças que precisam ocorrer. Só vocês sabem que não é um carro, uma faculdade, dinheiro, saúde, sexo, fama que vai fazer vocês pararem de sofrer, que vai fazer alguém feliz. Precisamos muito de vocês...
Como podem ajudar? Ajudando outras pessoas, com problemas menores ou maiores do que os seus. Aquelas com problemas menores, vocês podem contar suas histórias e mandar se fuderem se eles ainda acham que têm problemas. Aquelas pessoas com problemas maiores, vocês podem ajudar tornando a vida deles menos horrível, seja apenas escutando. Suicídas sabem que o pior momento do sofrimento é quando estão sozinhos, sem amigos. Ajudem outras pessoas, porque a vida de vocês não vai melhorar mesmo, senão vocês não seriam suicídas, mas pelo menos você pode dizer depois que faz diferença no mundo, e é nisso que está o sentido da vida. Viver por viver não é droga nenhuma. Agora, trabalhar com algo que traz recompensa, fazendo novos amigos e ainda com um monte de pessoas gratas por você existir... isso sim dá vontade de viver. Que se foda o novo carro da mitsubishi, eu quero é ser feliz.
Espaços com trabalhos voluntários existem. Eu já frequentei dois: um hospital na área infantil, dos brinquedos, e um asilo de idosos. E tipo, você chega lá, depois de ter quase ou virado a noite de tanta depressão e insônia, e chega uma criança te olhando como se você fosse um herói: um adulto querendo brincar com ela. Ou então no asilo, que os velhos te olham admirando por ver um jovem se importando com os velhos, que nem são da sua família, coisa que os próprios filhos e netos não fazem, largando eles lá, como um estorvo, exatamente como você se sentia antes de chegar lá, um estorvo pro mundo. E eles contam histórias, você empurra cadeira de rodas pra levar eles pros cantos... uns puxam conversa, tentam fazer você se interessar por eles, se agarram a primeira chance de companhia que eles têm pra conversar... você se sente necessário ali.
Espero que a minha experiência e minhas palavras tenham ajudado. Só escrevo o que acredito ser verdade. Não defendi o valor da vida. Defendi o valor dos suicídas que ainda não morreram.
sábado, 25 de abril de 2009
Ainda que Ele fosse mentira...
A idéia de Deus pode ser abstrata e irreal, mas opera efeitos reais e bem concretos.
O menino grita com o pai. O pai vai pro trabalho e desconta no empregado. O empregado vai pra casa e discute com a mulher. A mulher briga com a mãe no telefone. A mãe reclama com o padeiro no dia seguinte. Só que o padeiro acredita numa bondade superior que eleva os homens em deuses, cuja a única lei é amor: o padeiro não briga com a menina que trouxe o seu cachorro para dentro da padaria.
Uma mãe perdeu a filha que foi assassinada há 12 anos. Em todo esse tempo, ela nunca deixou de sentir saudades da filha, arruma o seu quarto todos os dias, numa lógica irrefutável que só o amor materno pode conceber. Nada preenche o vazio que ela sente. O assassino, dentro do presídio, cumpre a sua dívida com a sociedade. No último dia de sua sentença recebe uma visita inusitada: a mãe da vítima. Ela se aproxima dele e diz: "Eu te perdôo." saindo logo em seguida. Comovido ao ver o exemplo de alguém que suportou e sempre suportará duramente o erro que ele cometeu e ainda consegue perdoá-lo, comovido pela simples existência de pessoas assim, ele percebe que a paz na terra é algo possível e decide que vai trabalhar para isso acontecer, não se interessando por nada diferente disso.
Um senhor está mantido em cativeiro por 67 dias. Mal alimentado, humilhado e espancado brutalmente, ele está caído no quarto, rezando a Deus por uma chance de escapar, como assim fez em todos os outros dias. Em um momento de distração do sequestrador que conversava ao celular enquanto deixava o prato de comida no chão, o senhor consegue pegar a arma. Apontando consegue render um dos sequestradores que no momento estava sozinho. Pensou em como Deus havia lhe dado uma chance de fugir, de acabar com aquela injustiça que estava sofrendo e como Ele reprovaria se ele usasse essa ajuda para praticar o mal, atirando no sequestrador. Se alguém deve julgar e executar essa justiça é Deus e não ele.
Infelizmente não posso provar que Deus existe. Só o que pretendo provar aqui é que a simples idéia de que ele existe já transforma este mundo em um lugar melhor. Alguns dizem que essas pessoas que acreditam Nele são otárias, cegas, acreditam em coisas que os fatos contradizem, vêem coincidências onde não existem, que fazem coisas que não irão se beneficiar em nada, ainda se arriscando a serem prejudicadas por aqueles a quem as ajudam. Infelizmente não posso afirmar que essas pessoas são melhores, mais felizes em si mesma quando não questionam a sua fé. Mas posso afirmar com certeza que suas ações tornam este planeta um lugar bem melhor para se viver. “Se Deus não existisse, teríamos que inventá-lo.” disse Voltaire.
Não sei quem disse, mas disse com palavras bem mais bonitas: "Você pode entrar em um quarto completamente escuro, acender uma luz e as trevas vão fugir. Você pode entrar em um quarto iluminado, carregando um pouco de trevas entre as mãos, abri-las mas a escuridão não vai se espalhar, na verdade ela vai desaparecer.".
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Amor livre
Renato foi convidado a praticar o "amor livre" e adorou essa postura. A idéia de poder dormir com alguém sem criar expectativas, obrigações, vínculos emocionais é ótima! Não precisa gastar saliva tentando convencer alguém a dormir com ele e nem mentir dizendo que não há outras.
O "amor livre" é a concepção mais pura de amor. Amor ao momento, viver o presente, torná-lo um presente. Temos que acabar com a idéia de posse que tanto destrói o mundo. Não se pode possuir outro ser humano pois sua essência é livre. A liberdade foi e sempre é o primeiro direito a ser defendido pelo Homem. É esse mundo materialista que nos impede de evoluir como espíritos e conhecermos a felicidade. O apego nos atrasa e nos faz sofrer por coisas que nunca serão nossas.
Renato tem uma amiga também adepta ao "amor livre". É sempre bom estar com ela, pois têm os mesmos interesses, gostos e o sexo é incrível. Sempre podem pular a cerca porque não há cerca. O mundo é o seu buffet particular. Tudo é perfeito até que ela dorme com um amigo dele.
Renato entra em choque. A cabeça está em ordem, mas ele tem um ataque de ciúmes terrível. Então ele percebeu que estava apaixonado. Como isso aconteceu ele não sabe. Mas há um dito popular que diz: "Amor de **** tanto bate até que fica.". Impossível dormir tantas vezes com alguém sem acabar amando. E este amor não é "livre".
Porque o amor verdadeiro não é desinteressado, não promove o desapego. Pelo contrário, o amor tem em alto apreço por todas as coisas. Como já disse Érico Veríssimo: "O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.". E o amor é dividir-se para alguém. Quando chega a hora, todos querem a sua amante só para si. Pode não ser só uma, mas não vai querer dividi-la com outra pessoa. Da mesma forma que ela não quer dividir o seu amado com ninguém. Isto prevalesce até mesmo em culturas contrárias, onde há poligamia. Muitos homens são capados por suas esposas que não aceitam dividi-los com as outras esposas.
Em suma, Renato considerou o amor verdadeiramente "livre" contra a natureza humana e aquele que ama muitas mulheres na verdade não ama ninguém.
O único homem da face da terra
Ninguém sabe o que é...
... ser verdadeiro e ser taxado de clichê.
... ver pessoas diferentes como completamente iguais.
... saber que ninguém é insubstituível.
... saber que você é substituível.
... saber que você não é a melhor coisa que pode acontecer na vida de alguém.
... ver o mundo criar o seu próprio apocalipse.
... não poder dizer o que sente.
... ter medo de ser diferente.
... dizer "eu te amo" mil vezes para mil pessoas sem mentir.
... pensar constantemente que você pode estar errado.
... ter algumas poucas certezas e ninguém acreditar em você.
... não saber como o seu dia vai terminar.
... dizer amar livremente sem aguentar as consequencias.
... ser julgado sem ter feito nada de errado.
... sair e ninguém notar a sua ausência.
... começar a escrever uma coisa sem saber como vai terminar.
... continuar escrevendo sem saber o que está escrevendo.
Ups and downs com o mesmo final
Ela queria mais.
Ele já estava dando tudo de si.
Ela livra-se da carga extra.
Ele sente o novo ar puro encher os pulmões e o vento no corpo.
Ela termina para alçar vôos mais altos.
Ele está em queda-livre.
Ela descobre novos horizontes.
Ele procura um paraquedas.
Ela tenta conhecer o mundo.
Ele tenta conhecer a si mesmo.
Ela encontra alguém.
Ele encontra o chão.
Ela tenta subir ainda mais.
Ele cava oito palmos.
Ela desiste.
Ele também.
Ela começa juntar carga extra.
Ele olha para cima procurando alguém.
Ela voa mais baixo.
Ele é puxado para cima.
Ela com alguns tripulantes viaja sozinha.
Ele sozinho é convencido a ficar onde está.
Ela quer um novo começo.
Ele conhece o seu fim.
Ela envelheceu 30 anos.
Ele não amadureceu um só dia.
Ninguém foi feliz.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Hug Polar Bear
"Os ursos polares Bill e a fêmea Lara interagem durante o primeiro encontro dos dois no zoológico de Zoom Erlebniswelt, em Gelsenkirchen, na Alemanha. Bill foi trazido de um zoológico de Bruenn, na República Tcheca, para acasalar com Lara. As informações são da agência AP." (Terra Notícias)
Estava olhando para esta foto e me perguntando: "Por que somos superiores mesmo?". A resposta que me vem automaticamente na cabeça é porque somos animais racionais, um dos conceitos mais repetidos e incrustados na nossa mente quando somos crianças.
O que nenhum professor de terceira série me ensinou foi que a racionalidade em si não é virtude alguma, é uma capacidade, tal como ter mãos e olhos. Ela não nos transforma necessariamente em seres melhores do que aqueles que fazem o certo sem saber porquê, apenas porque se sentem bem em fazer isso. Não podemos ser governados inteiramente por emoções, mas sermos governados sem levá-las em consideração é um estágio ainda perigoso para nós, enquanto humanidade.
Nós que não temos a capacidade de perceber verdadeiramente as premissas, desenvolvemos raciocínios que nos levam a concluir que guerras, fome, indiferença, egoísmo, orgulho, competições fazem sentido em existir. Talvez seja hora de parar e estudar os ursos polares. Retroceder ao tempo em que eramos irracionais e começar de novo. Descobrir novas premissas de realidade.
Quantos de nós dariam este abraço? Sem pensar em convenções sociais, mostrar-se invulnerável ou sem ter medo? Reconhecer o outro como seu semelhante, como alguém que quer as mesmas coisas que você.
Ao ponto que a humanidade chegou, seria muito bom se algumas pessoas evoluíssem para ursos polares.
Lei de Murphy vence a Morte
Os parentes haviam sido informados pelo hospital no qual ele estava sendo tratado que a única coisa que o mantinha vivo eram os tubos de oxigênio e que ele morreria rapidamente caso eles fossem removidos. A família então optou por tirá-lo do hospital para que ele pudesse morrer em casa.
Ele foi levado do hospital, vestido adequadamente para o funeral e colocado no local onde seria realizado o velório. Após "reviver", o idoso foi novamente encaminhado ao hospital. Os médicos ficaram perplexos com sua impressionante recuperação, de acordo com o site Ananova." (Fonte: Terra Notícias)
Moral da história: "Não faça medicina em Taiwan.".
