quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Medidas incompreendidas

Ao me entregar demais fiz você pensar que eu seria o seu rapaz

Se te falei que você era uma mulher linda, igual a uma flor
Saiba que é tudo verdade
Mas isso não significa que eu não tenha um jardim com flores mais belas ainda

Eu sou assim com minhas palavras de medidas incompreendidas
E ao exagerar a verdade acabo me passando por mentiroso
Mas como contemplar o maravilhoso, com os olhos de quem se limita em medidas?

Eu não me encaixo nessas medidas
E eu sei que o resto das pessoas também não
Por que elas lutam tanto por um espaço numa sociedade que não lhes aceita como são?
Ao fugir do padrão, a sociedade não lhes garante nem o pão, nem o caixão

E ela sai com a cabeça erguida
Pensando haver conquistado mais um pra sua coleção
Mal sabe que sou feito com a porcelana mais fina
Basta que abra a porta para outros e o vento me derruba despedaçando-me no chão
Levando assim facilmente os pedaços para a casa de quem abra sua porta para mim
Porque sou peça única
E enquanto trabalhar em mim que não pense em outra coisa
Que eu não te contarei por quantas mãos fui feito e refeito
Sem obedecer perfeitamente as formas que me deram
Porque tenho medidas incompreendidas

sábado, 12 de setembro de 2009

Hoje o amor morreu

Percorri milhas em seus lábios
E agora, o que ficou?
Um vazio, um fim de caminho
Uma dor de quem não tem mais por quem sofrer.

Nunca consegui te descrever de outra forma
Um raio de sol
Desses que ilumina e esquenta o coração
Desses que enche o mundo de cores.

Não sei aonde quero chegar escrevendo essas coisas
Estou tão desiludido que não importa
Porque hoje a morte sorriu
Hoje o amor morreu.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Vida ou Liberdade?

Pergunta do fórum de Deontologia Jurídica: O que é mais importante, a Vida ou a Liberdade? Justifique sua resposta e comente as colocações pessoais de seus colegas de turma.

Percebi que a grande parte dos alunos responderam desta forma: “A vida, pois existe vida sem liberdade, mas não existe liberdade sem vida, então o direito à vida é mais importante.”.

Esta foi a minha resposta para eles:

“A liberdade é mais importante, pois é ela que justifica a vida. Se a vida é mais importante que a liberdade, como distinguir um robô de um escravo, se ambos só executam ações? Podem dizer que o escravo pode se rebelar contra o seu senhor, mas ele NUNCA fará isso enquanto valorizar mais a vida do que a liberdade. Ou seja, o que diferencia os dois é que o ser humano pode valorar outras coisas além da vida e o robô vive a "vida" em si sem maiores considerações. Apenas existe. 

É justamente este tipo de pensamento em que se valoriza mais a própria vida do que qualquer outra coisa que nos faz seres altamente covardes, que nos faz enxergar apenas o nosso próprio nariz, negando a vida do outro. Alguém pode dizer que valoriza igualmente a própria vida como a dos outros, mas como é que se ajuda alguém sem sacrifícios? E o que é o sacrifício senão a negação da própria vida em prol do outro? Aquele que valoriza a vida acima de todas as coisas não pode igualmente valorizar a do outro. 

Agora eu deixo uma pergunta para facilitar a resposta da outra pergunta: Existe alguma coisa pela qual valha a pena morrer?

A explicação de que sem vida não há liberdade é fraca e não se sustenta. Ora, se você não está vivo, que diferença faz ter liberdade ou não? Você nem existe. Não há o que falar sobre o que um cadáver deseja. Vamos nos manter no que os vivos preferem sim? 

A questão é que sem liberdade, o ser humano recusa a vida. Para ele é mais importante a liberdade. A estagnação numa situação o faz ficar deprimido, perder a esperança no futuro, questionar a própria existência e finalmente cometer suicídio. 

Se perguntassem ao ser humano antes de nascer se ele iria querer viver uma vida sem nenhuma liberdade, ele diria que não. A vida por si só não faz o ser humano querer viver, mas a liberdade de poder lutar por sua felicidade sim. Não a vida, e sim a liberdade, pois sem liberdade o homem põe fim ele mesmo a sua vida. Melhor morrer numa guerra lutando por sua liberdade do que viver 50 anos sem.

E para os legalistas, vou lembrar que para a Constituição Federal o direito à liberdade se sobrepõe ao da vida. O indivíduo pode perder a sua liberdade em sentença transitada em julgado, quando fica comprovado o mau uso da liberdade e o risco à liberdade dos outros membros da sociedade. 

Mas no caso de guerra, haverá penas de morte no Brasil, uma vez que o Estado não respeitará as vidas que colocarem em risco a liberdade da nação, ou seja, a soberania de sua vontade em seu território."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Prazer e dor.

      Engraçado como o prazer está atrelado a dor. Não se pode eliminar um sem eliminar o outro também. Temos tanto medo de nos machucar que não vivemos. Temos tanto medo da dor que perdemos o prazer. Tanto medo de escrever alguma coisa que não seja genial que acabamos nem escrevendo.
     Atualmente, após gerações e mais gerações, estamos cada vez mais imersos na cultura do consumo. Sua ideologia é que não devemos negar nós mesmos, jamais. Todo desejo deve ser realizado. Culto ao prazer desenfreado. O que isto nos trouxe? Medo, muito medo da dor. Não existem mais revoltas, pessoas tem medo de tomar uma posição. Pessoas se entupindo de comida após a menor decepção. Pessoas escravizadas, "masofóbicas", que ao custo de maximizar o prazer acabam também maximizando as dores pelas menores coisas. Prazer e dor, de mãos dadas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A obra de arte.

No começo eu tinha um coração normal, batendo, cumprindo com suas funções fisiológicas.
Te vi e ele se tomou mole, fraco, dependente.
Ficamos juntos e ele se tornou um bloco de mármore.
Separamos e com as minhas lágrimas esculpi o mármore em uma obra de arte.

O durante e o depois.

Relacionamentos têm o seu tempo de duração.
Uns terminam antes do tempo. Outros já deveriam ter terminado há muito tempo.
Olhando para trás, para as pessoas por quem já me deixei, vejo o quanto é importante não perder tempo com coisas que não são eternas.
Sabe, picuinhas? Ah, você devia ter ido com tal roupa. Temos que fazer isso mesmo? Está atrasada.
Coisas que morrem ali mesmo, junto com o clima.
Era realmente necessário dizer essas coisas? Você teria morrido se não tivesse feito aquela cara feia? Você tinha que ser sincero e dizer que o filme que ela ama não é lá grandes coisas? Você tinha que mentir para ganhar aquela discurssão e faze-la se sentir como uma idiota?
Alias, uma coisa que eu odiava nos meus namoros era discurssão pra tentar me mostrar quem tinha razão. F****** a razão! Não interessa, vamos pra partir pra frente! Ficar demorando em quem tem razão do que. Não interessa, nada vai mudar o passado. Ainda quer ficar demorando nesse momento estragado... vamos nos alegrar logo! Vamos aproveitar que o nosso relacionamento tem um tempo.
Hoje eu tento ver "fins" como sendo algo inevitável, importante para o ciclo da vida. Mas eu realmente me pego pensando que eu devia ter aproveitado mais. Se só vai durar um ano, porque ficar perdendo tempo fazendo comentários maldosos que vão levar 15, 20 minutos, 1,2, 3 dias ou 1 ou 2 semanas para se explicar? Eu realmente fico com o coração apertado quando vejo alguém se negando a abrir mão de coisas pequenas pela namorada(o). Porque depois que acaba, você se arrepende tanto, mas tanto.. e fica aquela idéia martelando na sua cabeça: "Pqp, eu nunca vou poder me redimir agora. Nunca vou poder recompensa-la por tudo que ela já fez por mim.". É uma situação muito chata mesmo, e eu não vejo filmes, poetas ou livros falando sobre isso. Parece que é tudo bem quando termina sem chifres. Relacionamentos, como a vida, são vidas, e quando a morte chega, se passa um filmezinho na sua cabeça mostrando tudo que você fez com ela. É a sua reação diante deste filme que determina se você vai pro inferno ou pro céu.

Nada mais, por enquanto.

domingo, 5 de julho de 2009

ColdPlay - Talk

Oh brother I can't, I can't get through
I've been trying hard to reach you 'cause I don't know what to do
Oh brother I can't believe it's true
I'm so scared about the future and I wanna talk to you
Oh I wanna talk to you


You could take a picture of something you see
In the future where will I be?
You could climb a ladder up to the sun
Or write a song nobody had sung or do
Something that's never been done

Are you lost or incomplete?
Do you feel like a puzzle, you can't find your missing piece?
Tell me how do you feel
Well I feel like they're talking in a language I don't speak
And they're talking it to me


So you take a picture of something you see
In the future where will I be?
You could climb a ladder up to the sun
Or write a song nobody had sung or do
Something that's never been done, do
Something that's never been done

So you don't know where you're going and you wanna talk
And you feel like you're going where you've been before
You'll tell anyone who'll listen but you feel ignored
And nothing's really making any sense at all, let's talk

Let's talk, let's talk, let's talk

sábado, 27 de junho de 2009

Acabou pra quem?

Amor verdadeiro. Submissão verdadeira. Cegueira completa. Obsessão romantizada. Tudo a mesma coisa.
Querem que eu me trate, por eu estar há 6 anos sentado neste muro, esperando que ela me aceite. Existe remédio contra o amor? Dizem que não. Mas tem contra obsessão romantizada, o que é a mesma coisa. Como um remédio vai dizer o que posso e o que eu não posso amar? O que eu posso ou não posso pensar? Não sei. Esses remédios devem acabar com qualquer tipo de pensamento. Mas dez anos depois sem pensar, isso muda o meu primeiro pensamento depois que o efeito passar?
Há quem admire, há quem ache que é desespero, há quem ache os dois. Todos concordam que não é normal. Num mundo tão abarrotado de gente de todos os tipos, "raças", crenças e culturas, ninguém é único em todos os aspectos, ninguém é insubstituível no meio de quase 7 bilhões de habitantes. No entanto, ainda existe gente como eu que quer aquele alguém e mais ninguém. Não há critérios, lógica, razão, por quê de ser aquela pessoa: o coração apenas aponta, isso é tudo.
Aí começa o inferno se a pessoa amada não te ama, ou não tem nada a ver com você. Faz a sua vida uma miséria. Nada é bom o bastante. Nada preenche as expectativas. Ela só parece esboçar um sorriso quando você não é você mesmo. Você age como se não tivesse escolha. Nada nela se destaca. Nada a faz a única mulher do mundo. Mas contra o coração não há fatos ou argumentos. E tente mostrar que ele está errado para você ver o que ele faz...
Perdi a conta de quantas rosas já murcharam em minhas mãos esperando por você. Se estou cansado? Sim. Vou desistir? Gostaria de poder. Mas o amor é a maior força deste mundo e nada pode vencê-lo. Já tentei ir embora, mas o meu corpo morria a cada passo dado. Fiquei a quinze metros da morte certa.
Pessoas passam por mim e desejam ter o meu amor. Invejam-na por ter alguém tão apaixonado. Que idiotas... Falam isso como se fosse um lazer ter o amor de alguém nas mãos. Mais idiotas ainda são aqueles que desejam amar assim. Não sabem a prisão que é isso. Se entregar completamente a quem não te quer, ou só te magoa. Ou quer um outro alguém.
Afinal, esse casamento acabou para quem? Eu continuo pensando, amando, e não consigo olhar para mais ninguém. Continuo disposto a criar uma família contigo e entregar o resto da minha vida. É fácil desistir de alguém que você só tem expectativas. Esse amor só dura 100 dias e 100 noites. Agora quando você já vivenciou e sabe como é.. nada parece te fazer esquecer. Milhões de brigas, decepções e lágrimas ainda são melhores do que ficar sozinho. Acredite, eu sei dos dois lados.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não

Estranho como é na negação que há a afirmação do ser. É no "não" que se cria uma identidade. É no "não" que se exerce a escolha de destinos. No "não" fecha-se para o mundo para criar o próprio. O "não" é a maior conquista que o individualismo pode alcançar.
Individualismo... indivíduo dualista? Será que nem na palavra o indivíduo está sozinho? Então o indivíduo aparece ao negar-se do resto que pertence. E ficamos nesta eterna dualidade... Queremos nos afirmar, ter a nossa identidade única e ao mesmo tempo nos relacionar com todos numa troca de amor inesgotável, onde tanto faz que identidade nós assumimos. E mesmo quando atingimos essa troca de amor inesgotável entre vários, não nos sentimos especiais, sentimos que não temos identidade, logo, não estamos felizes.
A dualidade está em tudo nas nossas vidas. É difícil fazermos alguma coisa e não pensarmos "mas o certo seria isso" ou "mas o que eu queria fazer mesmo era o errado". Como se fossemos anjos com demôniozinhos na orelha a nos sussurar, e vice-versa. E usamos o "não" para descartar todas as idéias que não nos refletem e escolhemos apenas uma. Um destino escolhido, uma escolha, uma decisão quando tudo que somos é uma dualidade de desejos.
Por isso é importante o equilíbrio em nossas vidas, pois não somos nem uma coisa nem outra. O mundo atualmente exagera no "não". Eu mesmo me vejo dizendo "não" demais para algumas pessoas, "sim" demais para outras pessoas e "não sei, talvez depois" para mim mesmo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O que posso fazer? É a verdade.

   Roberto acordou na cama de outra... que outra? Não sabe. Mas era linda.
   - Tenho que ir.
   Levantou-se e começou a se arrumar.
   - Por quê? – perguntou a outra.
   - Tenho uma reunião para ir agora.
   - Isso não é muito clichê?
   - O que posso fazer? É a verdade. Você sabe que eu sou um homem de negócios. Meus horários quem fazem são meus clientes.
    Mentira. Terminou de se arrumar rapidamente e foi.
   No caminho parou em um sinal vermelho, com vista para um outdoor com uma propaganda de perfume. Era uma foto de uma mulher de costas, olhando fixamente para a câmera através de um espelho numa penteadeira. Roberto conhecia aquela mulher e conhecia aquela pose. Era mesma pose com que ela havia olhado para ele numa manhã seguinte.
   Quando Roberto lembrava-se dela, a primeira coisa que lhe vinha à mente era de um sorvete maravilhoso, mas que saiu de fabricação. Sequer teve a chance de enjoar dela.
   Era típico dela olhar para um espelho. Num ato de auto-admiração, ela olha para si. Num outro, ela observa quem a olha. Se faz de indiferente observando tudo. Olha para trás sem parar de dar as costas. Olhar para um espelho para ela é uma filosofia de vida.
   - Tenho que ir. – disse ela.
   - Já?
   - Tenho uma apresentação para fazer agora.
   - Às nove da manhã? Você não tem uma desculpa melhor não?
   - O que posso fazer? É a verdade. Não sou eu que faço meus horários. São meus clientes.
   Riu-se de como agora usava a mesma desculpa para ir embora. É verdade que nunca mais experimentou aquele sabor. Para experimentá-lo de novo, tentava ser o sabor. Tentava agir como ela, ver como ela, sentir como ela, se aproximar dela. Saber o que a faz de tão especial. Quem sabe assim esse sabor perderia o encanto e ele poderia passar para outro. Quem sabe o próprio Roberto não se tornaria mais interessante de ser degustado em outras bocas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Romeu sem conhecer Julieta

Escrevo para te alcançar/ Escrevo para te conhecer/ Escrevo para te ver/ Escrevo para te descobrir/ Escrevo para me comunicar com você/ Escrevo como quem reza para alguém distante/ Escrevo porque não me sobra mais nada a fazer/ Escrevo para te falar que tentei seguir com a minha vida sem você/ Escrevo para te dizer que procurei outras pessoas, mas nelas só encontrei infímas partes do que você é para mim/ Escrevo para te achar há tanto tempo que achei que você não existia/ Escrevo para te dizer que tentei me contentar com pequenas partes de você em outras pessoas/ Escrevo para te dizer que eu estava enganado/ Escrevo para me lembrar da beleza de pequenos gestos seus/ Escrevo porque te perdi do meu olhar/ Escrevo para me redimir/ Escrevo para que me perdoe/ Escrevo para que eu ache que mereça o seu perdão/ Escrevo com a esperança de que você, onde quer que esteja, saiba que eu estou pensando em você/ Escrevo para que mesmo sem ter vivido contigo, mas não deixo de sentir a sua falta/ Escrevo para dormir em seus braços.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Funny Fact

Estava eu numa caminhada/corrida hoje de manhã, numa praça aqui perto, quando notei tábuas inclinadas para fazer abdominais e tive a brilhante idéia de me exercitar ali. Alguns segundos depois continuo minha caminhada.

Depois de uma volta(e apenas uma) vejo uma égua coçando a bunda na mesma tábua onde fiz meus abdominais.

Mais uma volta, na qual a minha mente ficou intercalando entre puro choque e frases do tipo "Deus, por que eu Deus?!", vejo aquela mesma égua(aqui dito nos dois sentidos) com outras 3 éguas passeando pela praça. Então entendi que ela estava se arrumando para sair com as amigas e, nunca se sabe, pro caso de encontrar pelo caminho um garanhão(literalmente!).

O que eu quero ensinar com essa história é que...

Moral da história: Nunca, NUNCA use equipamentos de musculação de uma praça pública!

E por favor: Desta vez, sem comentários.

Edit: Acabaram de comentar(claro) e eu percebi que talvez a égua tenha sentido o meu cheiro e eu seja o garanhão. Isso faz muito sentido, já que eu sou sargitário.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Em outro nível

Ela o admirava como se coubessem o mundo nos olhos dele. Ele tinha lido vários livros, feito várias viagens, trocado idéias com vários outros intelectuais e ela ainda no seu livrinho sobre Rousseau. Via-o conversar com os seus amigos sobre artistas da música clássica, jazz, blues, rock, mpb, e todos os outros gêneros, com o pré-requisito de nenhum desses artistas jamais terem tocado no radinho a pilha dela. Sobre a arte da pintura ele sabia toda a história e o traço dos principais nomes. Ela olhava aqueles mesmos rabiscos e se sentia uma analfabeta com uma poesia do Mario Quintana nas mãos, pois não sentia absolutamente nada.
 
Ele perguntou ao grupo se alguém sabia quanto havia sido o resultado do jogo do Flamengo ontem. Era a chance dela. Tinha escutado brevemente na tv o resultado do jogo enquanto almoçava. Com os olhos cheios de brilho por finalmente uma oportunidade de falar ter aparecido, ela disse: "Trê.."
 
- Três a zero. - cortou alguém no grupo.
- Com gol de quem? - ele perguntou.
 
E a conversa continuou. Ela ficou numa tristeza contida, ali, no seu canto, fingindo interesse pela conversa. "Como posso querer este homem se tudo que ele me faz sentir é o quanto eu sou burra..."pensou. Pegou suas coisas e foi embora. Se ficassem juntos, ela sempre iria se ver como um atraso na vida dele e que ele estava fazendo um favor em estar com ela. Ele secretamente pensaria da mesma forma.

Amor de verão

- Hum... nossos signos combinam.

Ela achava interessante mas que era pura coincidência. Ele fazia o seu próprio estudo sobre as pessoas de cada signo. Se encontraram numa viagem dele pela cidade dela. De um xaveco horrível nasceu a oportunidade de se conhecerem, e se conheceram bem nas 3 semanas em que ele ficou. Ela descobriu coisas nele que nem sabia que gostava. Ele gostava da inexperiencia dela, tentando se fazer de descolada quando tudo é uma primeira vez.

- Nosso tempo acabou.

Após essa verdade devastadora, se beijaram uma vez para se consolarem e ele foi embora.

Coincidencia ou não, o fato é que toda vez que ela conhece alguém interessante, tem uma pergunta ela não consegue conter:

- Qual é o seu signo?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Hoje a chuva me ensinou.

Acabo de fazer prova, ainda falta uma hora para receber a próxima. Inquieto, resolvi não perder tempo, pois tinha virado a noite e tinha que dormir ao máximo até o próximo compromisso daqui poucas horas. Pego os ônibus e vou até uma locadora deixar um dvd. Chegando lá, levando chuva descubra que ainda falta uma hora para a locadora abrir. "Ô m****.".

Ali perto uma cafeteria, me chamando para comparecer. Não qualquer cafeteria, mas aquela onde tinha um pão de queijo especial, que eu comia no auge dos meus 6 anos. O gosto nostalgico daquele pão sempre me leva para um tempo onde nada se explicava, tudo era mágico. Bom, você sabe o que é ter seis anos.

Sentado numa mesa perto da janela, eu via a chuva cair pela rua, numa simplicidade que até mesmo um cego como eu pude perceber. Os pingos caiam sem violência. Não batiam, se uniam ao chão, aos carros.  No meu olhar tudo acontecia tão devargar, e sem nenhum som. O mais perfeito clichê de câmera lenta. Esqueci das provas, trabalhos, da aula que eu estava matando por causa de uma locadora que nem tinha aberto ainda. Eu que fui para aquela cafeteria para me refugiar da chuva, agora era o seu mais ardoroso espectador. Ela parecia saber disso, pois não se alterou enquanto eu pude admirar.

Aquela cafeteria, tão bem decorada com tons de marrom e bege, silenciosa e espaçosa, destoava demais com o resto da cidade. Ali eu me sentia num café em NY, Paris, Santiago, Londres, Barcelona... Tanto faz, o sentimento com certeza seria o mesmo. É um pequeno recanto do paraíso, em meio uma cidade de favelas, onde pessoas como nós, de uma classe afortunada, podemos recobrar as forças para voltar ao inferno e continuar a tentar melhorá-lo. Vendo o menino pedindo esmola no sinal é quase como se alguém viesse me cututar e dizer: "Agora que você já descansou volte a lutar". É um descanso cheio de cumplicidade mesmo, em meio ao crime do sofrimento de tantas pessoas que não estamos fazemos nada para ajudar. Lembrei das cidades no interior completamente imundadas. Fiquei muito triste. Percebi como tinha sido bom esquecer de tudo aquilo. O esquecimento é uma benção mesmo, só mesmo naquele momento, olhando para a chuva eu tinha sentido paz. Pensei em reencarnação, como ela seria inútil sem o total esquecimento do passado. Certamente existiam muitas coisas que seriam capazes de destruir uma vida se continuassemos a focarmos nelas, por mais eternas que estas vidas fossem.

Tive vontade de tirar o meu caderno e começar a escrever tudo isso, mas fiquei com vergonha, como se já não bastasse eu estar lá "teoricamente" mal vestido para os padrões daquele lugar, ainda tiraria um caderno no meio de todos aqueles notebooks. "Paulo, vais viver pela metade se ficar se importando com o que os outros pensam. O que eles fazem por você?" raciocinei. Mesmo assim nada fiz, é algo que ainda estou treinando. E depois, a chuva continuava ali e eu queria continuar com aquele sentimento de paz... depois eu tento consertar os meus defeitos. Pensei no meu último post e nos comentários que recebi. Pensei em escrever algo com a frase "me ensine a sorrir" como resposta. Mas hoje não. Hoje eu tinha percebido a chuva no meio de uma situação bem chata. Pensei na influência das pessoas que conheci no meio disso tudo.. elas já estavam me ensinando. Não digo que já sei, ou que amanhã conseguirei perceber a mesma chuva, mas hoje eu não preciso que me ensinem. Hoje não. Hoje a chuva me ensinou.

sábado, 23 de maio de 2009

O mundo sem mulheres! (Arnaldo Jabor)

O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê?

O sujeito quer ficar famoso pra quê?

O indivíduo malha, faz exercícios pra quê?

A verdade é que é a mulher o objetivo do homem.

Tudo que eu quis dizer é que o homem vive em função da mulher.

Vivem e pensam em mulher o dia inteiro, a vida inteira.

Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente.

Homem algum iria fazer alguma coisa na vida para impressionar outro homem, para conquistar sujeito igual a ele, de bigode e tudo?

Já dizia a velha frase que 'atrás de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.
O dito está envelhecido. Hoje eu diria que 'na frente de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.

É você, mulher, quem impulsiona o mundo.

É você quem tem o poder, e não o homem.

É você quem decide a compra do apartamento, a cor do carro, o filme a ser visto, o local das férias.

Bendita a hora em que você saiu da cozinha e, bem-sucedida, ficou na frente de todos os homens.

E, se você que está lendo isto aqui for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher.

Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens.

Já pensou?

Um casamento sem noiva?

Um mundo sem sogras?

Enfim, um mundo sem metas.

ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS OS HOMENS GOSTAM TANTO DE MULHERES:

1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que seja só xampu.

2- O jeitinho que elas têm de sempre encontrar o lugarzinho certo em nosso ombro, nosso peito.

3- A facilidade com a qual cabem em nossos braços.

4- O jeito que tem de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito.

5- Como são encantadoras quando comem.

6- Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.

7- Porque estão sempre quentinhas, mesmo que esteja fazendo trinta graus abaixo de zero lá fora.

8- Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e rabo-de-cavalo.

9- Aquele jeitinho sutil de pedir um elogio.

10- O modo que tem de sempre encontrar a nossa mão.

11- O brilho nos olhos quando sorriem.

12- O jeito que tem de dizer 'Não vamos brigar mais, não..'

13- A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.

14- O modo de nos beijarem quando dizemos 'eu te amo'.

15- Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.

16- O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.

17- O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.

18- O jeitinho de dizerem 'estou com saudades'.

19- As saudades que sentimos delas.

20- A maneira que suas lágrimas tem de nos fazer querer mudar o mundo para que mais nada lhes cause dor.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Porque certas coisas não seguem adiante por si mesmas

Antes tínhamos nada e isso nos bastava
Todos nossos sonhos, todos nossos problemas podiam esperar
Presente, passado e futuro se confundiam num só momento
Estar contigo era o princípio, meio e fim
Fim? Que fim?
Não lembrava sequer ter vivido antes encontrar de você.
Era vida? Importa isso agora?
Deixe-me viver o meu fim. Meu eterno começo. Tanto faz.
De repente poderíamos ter tudo e nada bastaria.
A ilusão acabou.

Porque chamas de ilusão? Não viveste isso no mundo real? Não foi real?
Este teu desejo secreto da morte não me engana.
Querias por fim em tudo.
Acabar com o universo que te cerca num eterno gozo que de nada seria diferente do vazio.
Vazio. Eras isto antes dela e depois dela.
Presente, passado e futuro num só momento ainda são a sua realidade.
Transformaste a tua antiga realidade na presente ilusão, que é a tua atual realidade.
Aprisionado na própria ilusão de felicidade.
Vê? A realidade é a gente que faz.
O problema é companhia? Aquela garota passando na rua olhou pra você. Você não.
Mal sabe você, mas ela também queria alguém como você.
Ela vai voltar para casa e chorar pela solidão não merecida.
A vida tentou lhe apresentar a ela, mas você não quis. Preferiu um passado feliz que hoje só lhe traz dor.
As coisas são assim mesmo. A ajuda sempre está lá, mas só vemos quando pedimos.
Peça.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A verdade

Este é um texto que eu escrevi há algum tempo e achei:

Domingo, 15 Julho 2007


Decidi escrever sobre a verdade. Aquela verdade que nos incomoda, que nos assusta, que não cremos… mas ainda sim ela existe.

Me perguntei se a verdade está acima de qualquer preço. A verdade deve ser sempre dita, nua e crua a qualquer tempo? Logo, uma voz na minha cabeça responde: “Não, cada verdade a seu devido tempo. Assim como na ciência, onde cada descoberta fomenta o descobrimento do conhecimento que virá, assim deverá ser procedimento com todas as verdades, sejam do mundo, sejam do coração.”

Logo, refleti sobre as palavras que escutei em minha mente. Sempre chamei essa voz de consciência, mas já faz um tempo que desconfio que seja outra pessoa. Enfim, depois me lembrei de um texto que eu li sobre fingimento, o que me parte em dois: “É certo que a verdade não deve ser dita a seu tempo, mas devemos responder com mentira?”. Não escuto nada da minha outra voz. Talvez ela não saiba, talvez ela espera que eu descubra sozinho… ou talvez seja porque eu não esteja preparado para escutar esta verdade.

Toda essa reflexão começou porque eu me perguntei se devo dizer “eu não te amo” para alguém… Alguém que se entregou de alma e coração para mim e eu retribuo com ingratidão e verdade. Será que devo descartar o amor de alguém porque ela não tem a altura, o peso, as cores que me agradam, ou o jeito, trejeitos e respostas que me seduzem? Trocar o amor e a felicidade de alguém, para buscar o amor e a felicidade própria, sem garantia de sucesso? E se eu encontrar um outro alguém, alguém que eu ame profundamente mas que não sou correspondido? É justo quere-la só pra mim? Sei que não, mas não aceito a verdade. E ela continua a existir…

Temo ter condenado duas pessoas à infelicidade, ou invés de apenas a mim mesmo. Se eu tivesse ficado com quem me ama, ao menos ela ficaria feliz. Agora que estamos separados, ambos estamos tristes. Ela, espera até que apareça alguém que a ame e fica com esta pessoa: ela não quer que ninguém sofra a rejeição que recebeu de mim. Eu, corro atrás de alguém que não me ama, e logo sou rejeitado. Ela, pode vir a ser feliz, pelo fato de ser amada. Eu, jamais serei feliz pelo fato de ter sido honesto comigo mesmo e com ela. A solidão jamais me fará feliz, não importa se agi com a verdade ou não.

Algo que eu nunca superei foi ter conseguido fazer com que alguém deixasse de me amar. Duas pessoas se propõem a ficarem juntos pela eternidade, e poucos meses depois o amor acaba. De que adiantou então ter ficado com esta pessoa só para não magoá-la com o fim? O fim aconteceu do mesmo jeito. E o engraçado é que enquanto ela deixava de me amar, eu que não a amava, comecei a amá-la. Daí, tiro a conclusão de que estou mais perdido do que quando comecei a escrever esse texto. Comecei com respostas e palavras diferentes e eloqüentes. Termino agora com dúvidas e repetindo as palavras.

A verdade é que algumas coisas mudam, outras não. Certo é que a verdade existe, quer você acredite ou não, basta que você a faça. Amores nascem e morrem. O “para sempre” pode acabar amanhã, seja com a morte ou a indiferença de alguém. E o “sim” pode ser dito depois de amanhã ou agora mesmo, assim como nunca nesta vida. A constante do universo é a mudança dele. A certeza de nossas vidas é a incerteza do que acontece nela. É deprimente, mas não seria melhor de outra forma.

Devia ter ficado com a garota? Não sei. E desta vez o tempo não irá me responder: ele só responde a uma pergunta, a que você faz com o seu presente. Não se pode saber sobre as conseqüências do que não aconteceu, o que me faz concluir que existem muito mais perguntas do que respostas neste universo. Terá a verdade o poder de responder todas?

domingo, 3 de maio de 2009

Um simples abraço sincero

Rafael estava na cama com uma linda mulher nua. Haviam passado uma ótima noite juntos. Gostava do jeito dela de pensar, de falar, de ver e de não-pensar também algumas coisas. Seus gestos, por menores que fossem, lhe faziam querer ficar mais e mais junto dela. Queria muito dar prazer a ela. Não podia falhar nisso. Tinha que ser perfeito. Só assim poderia ficar quite com ela. Só assim ela gostaria dele.
Então, o pesadelo #1 de todos os homens acontece: o junior não sai pra brincar. Rafael entra em parafuso. "COMO ASSIM?!" pensou. Não havia justificativas (não alguma que ele aceitasse como desculpa). Sem que ele soubesse, sua mente estava cansada de sexo. Já tinha feito tantas vezes que o seu subconsciente estava achando aquilo repetitivo, mecânico, com o mesmo final de sempre. A verdade é que há algum tempo ele só estava fazendo pelo prazer delas, nem tanto por si. Mas ele não aceitava isso, e com razão! Como assim cansado de sexo?! Se sexo enjoasse o mundo não estaria chegando a casa dos 7 bilhões de habitantes, mesmo com tantos médotos anti-concepcionais existentes há meio século.
Talvez estivesse muito preocupado em dar prazer àquela linda mulher, sob pena dela não gostar dele. Fato é que não conseguiu mesmo satisfazê-la. Se sentiu a pior pessoa do mundo, incapaz de dar prazer a quem ele gosta. Não conseguia se perdoar. No final das contas, ela se mostrou compreensiva e simplesmente dormiu abraçada nele, com a cabeça no seu peito. Também sem saber porque, Rafael sentiu um enorme prazer naquele momento. O jeito como ela o abraçou, buscando aconchegar-se nele como se ele fosse o bicho de pelúcia que ela mais ama desde a infância. Aquela intimidade, aquele conforto, aquela emoção ele não teria nem tivesse feito o kamasutra inteiro 3 vezes. Rafael nunca esqueceu-se da noite em que sexo foi reduzido sem perdas a um simples abraço sincero.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A espera

     Emily olhava a chuva pela janela, sem ter o que pensar. Nada poderia ser feito, então ela apenas esperava. Seu amor havia partido para a guerra. Sem filhos, sem vínculos matrimoniais, nada alimentava a razão daquela espera. E ela continua a esperar.
     Os pais já lhe impusseram que se casasse com um homem da lei escolhido por eles. Ele não era mau, mas ela já não tinha mais um coração para dar. O homem para quem ela havia dado precisaria muito mais dele. Era um soldado raso, seria o primeiro nas fileiras contra as trincheiras do inimigo. Os pais dele não tinham esperança de que voltasse vivo, mas ela tinha. Tinha que ter.
     Cinco anos já haviam passado. Durante esse tempo, muitas vezes após um relâmpago ela corria no meio da chuva, pensando tê-lo visto. Tão rápido ele desaparecia quanto aquela luz. Emily sentia o relâmpago cair sobre si quando isso acontecia. Aos poucos ela foi deixando de sair de casa para melhor enxergar se ele vinha. Ficava apenas parada em frente aquela janela.
     Até aquele dia, em que decidiu sair da janela. Foi para a cama e chorou o resto da noite. A chuva, sua amiga, choveu torrencialmente tentando lhe chamar de volta. Mas não haveria volta. Ela deu todo amor que poderia dar para ele na sua ausência. Aguentou tudo que poderia aguentar de sua família. Ela chorava de consciência limpa, sabendo que não poderia ser de outra maneira. Chorava por ter constatado isso, mas não se arrependia de forma alguma. Tinha que viver aquilo até o fim para poder ter alguma chance de ser feliz nos braços de outro alguém. Se havia algum arrependimento, era de um dia ter conhecido ele.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Suicídas, o mundo precisa de vocês

Odeio falar sobre suicídio. Odeio com falar com gente que quer cometer suicídio. Sempre me acho um hipócrita tentando defender a vida, quando eu mesmo não sinto o valor que ela tem.

Muitas pessoas, como eu, não têm grandes problemas. Não passam fome, não são aleijados, possuem um teto e bastante tempo livre para pensar até em qual é o sentido em continuar vivendo. E do nada, sem que ninguém desconfie, sem ter nunca terem feito uma cara de tristeza para alguém, suicidam-se. Ninguém entende. "Estátuas e cofres. E paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu.". Uma vida tão cheia de expectativas, oportunidades que outros tantos rezam pra ter, jogada fora. É porque realmente, as pessoas do lado de fora não entendem...

A maioria das pessoas (mas bem menos do que se imagina) quer viver pra poder conseguir terminar aquele curso, conseguir aquele trabalho, comprar aquele carro. Depois conseguir um trabalho melhor, trocar de casa, fazer aquela viagem e trocar o carro. Depois fazer cursos, fazer novas viagens, escrever um livro e talvez, ter uma família. E assim vai... Mas quando uma pessoa percebe a rotina em tudo isso, que um carro novo é só um carro novo, uma casa nova é só uma casa nova, uma viagem é só uma viagem, ver como tudo isso é repetitivo e sem sentido. A mídia tem por objetivo consumista de colocar na nossa cabeça que nunca estamos satisfeitos, não importa o quanto você tenha: Nunca é o suficiente porque sempre se pode ter mais/ sempre se pode ser mais feliz. Algumas pessoas enxergam isso a longo prazo, fora as decepções eventuais com algumas pessoas em nossas vidas e o risco/paralelo entre quanto mais você gosta de alguém, mais vai lhe machucar quando ela lhe decepcionar (e ela vai lhe decepcionar, porque não há ser humano que não erre, nem que consiga preencher as expectativas de alguém): essas pessoas são chamadas de depressivas e são atraídas ao suícidio.

Pessoas assim são mais humanas do que as outras, porque são tão sensíveis ao que acontece consigo e com as pessoas seu redor que conseguem perceber que tudo está errado. Claramente o mundo está uma droga, e as pessoas depressivas enxergam isso com maior clareza. É justamente por isso que elas são tão importantes: só elas vão sofrer tanto até o ponto em que vão querer mudar. Só elas vão ver que está tudo errado e vão querer mudar... pessoas normais seguem o rumo, fazendo algumas mudanças apenas quando é conveniente e se não for difícil, senão deixa como está.

O filme do Patch Adams, baseado em uma história real, retrata a história de um cara que tentou se matar várias vezes, não tinha dinheiro, casa, amigos, trocava de emprego sempre, órfão, terminou se internando num hospício. Lá ele percebeu como poderia ajudar pessoas depressivas como ele. Decidiu ser médico para conhecer e ajudar as pessoas nos seus momentos mais difícieis. Então, um cara que tinha mais de 40 anos, fez vestibular e entrou pra medicina. Comprou briga com os colegas porque ele agia como palhaço nos anos 60, e todo mundo queria ser respeitado como médico. Foi até expulso da faculdade com a justificativa de ser "excessivamente feliz". O que eu quero dizer é ele tinha mais de 40 quando decidiu começar a viver, e ainda conseguiu ser feliz. E aquela constante vontade que ele tinha de se matar, na verdade era repúdio a toda forma de sofrimento. Ele era super sensível quanto a isso e por isso sofria demais.

Suicídas, o mundo precisa de vocês. Só vocês vêem o mundo como ele está. Só vocês vêem as mudanças que precisam ocorrer. Só vocês sabem que não é um carro, uma faculdade, dinheiro, saúde, sexo, fama que vai fazer vocês pararem de sofrer, que vai fazer alguém feliz. Precisamos muito de vocês...

Como podem ajudar? Ajudando outras pessoas, com problemas menores ou maiores do que os seus. Aquelas com problemas menores, vocês podem contar suas histórias e mandar se fuderem se eles ainda acham que têm problemas. Aquelas pessoas com problemas maiores, vocês podem ajudar tornando a vida deles menos horrível, seja apenas escutando. Suicídas sabem que o pior momento do sofrimento é quando estão sozinhos, sem amigos. Ajudem outras pessoas, porque a vida de vocês não vai melhorar mesmo, senão vocês não seriam suicídas, mas pelo menos você pode dizer depois que faz diferença no mundo, e é nisso que está o sentido da vida. Viver por viver não é droga nenhuma. Agora, trabalhar com algo que traz recompensa, fazendo novos amigos e ainda com um monte de pessoas gratas por você existir... isso sim dá vontade de viver. Que se foda o novo carro da mitsubishi, eu quero é ser feliz.

Espaços com trabalhos voluntários existem. Eu já frequentei dois: um hospital na área infantil, dos brinquedos, e um asilo de idosos. E tipo, você chega lá, depois de ter quase ou virado a noite de tanta depressão e insônia, e chega uma criança te olhando como se você fosse um herói: um adulto querendo brincar com ela. Ou então no asilo, que os velhos te olham admirando por ver um jovem se importando com os velhos, que nem são da sua família, coisa que os próprios filhos e netos não fazem, largando eles lá, como um estorvo, exatamente como você se sentia antes de chegar lá, um estorvo pro mundo. E eles contam histórias, você empurra cadeira de rodas pra levar eles pros cantos... uns puxam conversa, tentam fazer você se interessar por eles, se agarram a primeira chance de companhia que eles têm pra conversar... você se sente necessário ali.

Espero que a minha experiência e minhas palavras tenham ajudado. Só escrevo o que acredito ser verdade. Não defendi o valor da vida. Defendi o valor dos suicídas que ainda não morreram.

sábado, 25 de abril de 2009

Ainda que Ele fosse mentira...

A idéia de Deus pode ser abstrata e irreal, mas opera efeitos reais e bem concretos.

O menino grita com o pai. O pai vai pro trabalho e desconta no empregado. O empregado vai pra casa e discute com a mulher. A mulher briga com a mãe no telefone. A mãe reclama com o padeiro no dia seguinte. Só que o padeiro acredita numa bondade superior que eleva os homens em deuses, cuja a única lei é amor: o padeiro não briga com a menina que trouxe o seu cachorro para dentro da padaria.

Uma mãe perdeu a filha que foi assassinada há 12 anos. Em todo esse tempo, ela nunca deixou de sentir saudades da filha, arruma o seu quarto todos os dias, numa lógica irrefutável que só o amor materno pode conceber. Nada preenche o vazio que ela sente. O assassino, dentro do presídio, cumpre a sua dívida com a sociedade. No último dia de sua sentença recebe uma visita inusitada: a mãe da vítima. Ela se aproxima dele e diz: "Eu te perdôo." saindo logo em seguida. Comovido ao ver o exemplo de alguém que suportou e sempre suportará duramente o erro que ele cometeu e ainda consegue perdoá-lo, comovido pela simples existência de pessoas assim, ele percebe que a paz na terra é algo possível e decide que vai trabalhar para isso acontecer, não se interessando por nada diferente disso.

Um senhor está mantido em cativeiro por 67 dias. Mal alimentado, humilhado e espancado brutalmente, ele está caído no quarto, rezando a Deus por uma chance de escapar, como assim fez em todos os outros dias. Em um momento de distração do sequestrador que conversava ao celular enquanto deixava o prato de comida no chão, o senhor consegue pegar a arma. Apontando consegue render um dos sequestradores que no momento estava sozinho. Pensou em como Deus havia lhe dado uma chance de fugir, de acabar com aquela injustiça que estava sofrendo e como Ele reprovaria se ele usasse essa ajuda para praticar o mal, atirando no sequestrador. Se alguém deve julgar e executar essa justiça é Deus e não ele.

Infelizmente não posso provar que Deus existe. Só o que pretendo provar aqui é que a simples idéia de que ele existe já transforma este mundo em um lugar melhor. Alguns dizem que essas pessoas que acreditam Nele são otárias, cegas, acreditam em coisas que os fatos contradizem, vêem coincidências onde não existem, que fazem coisas que não irão se beneficiar em nada, ainda se arriscando a serem prejudicadas por aqueles a quem as ajudam. Infelizmente não posso afirmar que essas pessoas são melhores, mais felizes em si mesma quando não questionam a sua fé. Mas posso afirmar com certeza que suas ações tornam este planeta um lugar bem melhor para se viver. “Se Deus não existisse, teríamos que inventá-lo.” disse Voltaire.

Não sei quem disse, mas disse com palavras bem mais bonitas: "Você pode entrar em um quarto completamente escuro, acender uma luz e as trevas vão fugir. Você pode entrar em um quarto iluminado, carregando um pouco de trevas entre as mãos, abri-las mas a escuridão não vai se espalhar, na verdade ela vai desaparecer.".

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Amor livre

Renato foi convidado a praticar o "amor livre" e adorou essa postura. A idéia de poder dormir com alguém sem criar expectativas, obrigações, vínculos emocionais é ótima! Não precisa gastar saliva tentando convencer alguém a dormir com ele e nem mentir dizendo que não há outras.

O "amor livre" é a concepção mais pura de amor. Amor ao momento, viver o presente, torná-lo um presente. Temos que acabar com a idéia de posse que tanto destrói o mundo. Não se pode possuir outro ser humano pois sua essência é livre. A liberdade foi e sempre é o primeiro direito a ser defendido pelo Homem. É esse mundo materialista que nos impede de evoluir como espíritos e conhecermos a felicidade. O apego nos atrasa e nos faz sofrer por coisas que nunca serão nossas.

Renato tem uma amiga também adepta ao "amor livre". É sempre bom estar com ela, pois têm os mesmos interesses, gostos e o sexo é incrível. Sempre podem pular a cerca porque não há cerca. O mundo é o seu buffet particular. Tudo é perfeito até que ela dorme com um amigo dele.

Renato entra em choque. A cabeça está em ordem, mas ele tem um ataque de ciúmes terrível. Então ele percebeu que estava apaixonado. Como isso aconteceu ele não sabe. Mas há um dito popular que diz: "Amor de **** tanto bate até que fica.". Impossível dormir tantas vezes com alguém sem acabar amando. E este amor não é "livre".

Porque o amor verdadeiro não é desinteressado, não promove o desapego. Pelo contrário, o amor tem em alto apreço por todas as coisas. Como já disse Érico Veríssimo: "O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.". E o amor é dividir-se para alguém. Quando chega a hora, todos querem a sua amante só para si. Pode não ser só uma, mas não vai querer dividi-la com outra pessoa. Da mesma forma que ela não quer dividir o seu amado com ninguém. Isto prevalesce até mesmo em culturas contrárias, onde há poligamia. Muitos homens são capados por suas esposas que não aceitam dividi-los com as outras esposas.

Em suma, Renato considerou o amor verdadeiramente "livre" contra a natureza humana e aquele que ama muitas mulheres na verdade não ama ninguém.

O único homem da face da terra

Ninguém sabe o que é...

... ser verdadeiro e ser taxado de clichê.

... ver pessoas diferentes como completamente iguais.

... saber que ninguém é insubstituível.

... saber que você é substituível.

... saber que você não é a melhor coisa que pode acontecer na vida de alguém.

... ver o mundo criar o seu próprio apocalipse.

... não poder dizer o que sente.

... ter medo de ser diferente.

... dizer "eu te amo" mil vezes para mil pessoas sem mentir.

... pensar constantemente que você pode estar errado.

... ter algumas poucas certezas e ninguém acreditar em você.

... não saber como o seu dia vai terminar.

... dizer amar livremente sem aguentar as consequencias.

... ser julgado sem ter feito nada de errado.

... sair e ninguém notar a sua ausência.

... começar a escrever uma coisa sem saber como vai terminar.

... continuar escrevendo sem saber o que está escrevendo.

Ups and downs com o mesmo final

Ela queria mais.

Ele já estava dando tudo de si.

Ela livra-se da carga extra.

Ele sente o novo ar puro encher os pulmões e o vento no corpo.

Ela termina para alçar vôos mais altos.

Ele está em queda-livre.

Ela descobre novos horizontes.

Ele procura um paraquedas.

Ela tenta conhecer o mundo.

Ele tenta conhecer a si mesmo.

Ela encontra alguém.

Ele encontra o chão.

Ela tenta subir ainda mais.

Ele cava oito palmos.

Ela desiste.

Ele também.

Ela começa juntar carga extra.

Ele olha para cima procurando alguém.

Ela voa mais baixo.

Ele é puxado para cima.

Ela com alguns tripulantes viaja sozinha.

Ele sozinho é convencido a ficar onde está.

Ela quer um novo começo.

Ele conhece o seu fim.

Ela envelheceu 30 anos.

Ele não amadureceu um só dia.

Ninguém foi feliz.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Hug Polar Bear

"Os ursos polares Bill e a fêmea Lara interagem durante o primeiro encontro dos dois no zoológico de Zoom Erlebniswelt, em Gelsenkirchen, na Alemanha. Bill foi trazido de um zoológico de Bruenn, na República Tcheca, para acasalar com Lara. As informações são da agência AP." (Terra Notícias)

Estava olhando para esta foto e me perguntando: "Por que somos superiores mesmo?". A resposta que me vem automaticamente na cabeça é porque somos animais racionais, um dos conceitos mais repetidos e incrustados na nossa mente quando somos crianças.

O que nenhum professor de terceira série me ensinou foi que a racionalidade em si não é virtude alguma, é uma capacidade, tal como ter mãos e olhos. Ela não nos transforma necessariamente em seres melhores do que aqueles que fazem o certo sem saber porquê, apenas porque se sentem bem em fazer isso. Não podemos ser governados inteiramente por emoções, mas sermos governados sem levá-las em consideração é um estágio ainda perigoso para nós, enquanto humanidade.

Nós que não temos a capacidade de perceber verdadeiramente as premissas, desenvolvemos raciocínios que nos levam a concluir que guerras, fome, indiferença, egoísmo, orgulho, competições fazem sentido em existir. Talvez seja hora de parar e estudar os ursos polares. Retroceder ao tempo em que eramos irracionais e começar de novo. Descobrir novas premissas de realidade.

Quantos de nós dariam este abraço? Sem pensar em convenções sociais, mostrar-se invulnerável ou sem ter medo? Reconhecer o outro como seu semelhante, como alguém que quer as mesmas coisas que você.

Ao ponto que a humanidade chegou, seria muito bom se algumas pessoas evoluíssem para ursos polares.

Lei de Murphy vence a Morte

"Um homem de 87 anos deu um grande susto em seus familiares ao acordar durante seu próprio funeral, realizado em um centro budista de Taiwan. Eles rezavam sobre o corpo do idoso quando ele teria começado a engasgar e, de repente, acordou, segundo informações do jornal Shangai Daily. 

Os parentes haviam sido informados pelo hospital no qual ele estava sendo tratado que a única coisa que o mantinha vivo eram os tubos de oxigênio e que ele morreria rapidamente caso eles fossem removidos. A família então optou por tirá-lo do hospital para que ele pudesse morrer em casa. 

Ele foi levado do hospital, vestido adequadamente para o funeral e colocado no local onde seria realizado o velório. Após "reviver", o idoso foi novamente encaminhado ao hospital. Os médicos ficaram perplexos com sua impressionante recuperação, de acordo com o site Ananova."
 (Fonte: Terra Notícias)

Moral da história: "Não faça medicina em Taiwan.".