terça-feira, 13 de abril de 2010

Ela espera.

Ela espera. Na janela numa noite chuvosa ela espera. Ao som do trovão ela deixa cair suas lágrimas no chão. Ninguém sabia que seis meses depois ela o deixaria como se tivesse sido um grande erro. Mas hoje à noite não. Hoje ela sente o amor. O amanhã não chegou e hoje ela sente amor. Na espera de quem ela ama o seu coração se abre. Está todo aberto, vulnerável, pronto para receber qualquer réstia de esperança, qualquer palavra amiga que venha como sussurro ao coração.

Não importa se o amor não dura para sempre. Importa que ele seja real. Hoje é inegável que o amor está aqui.

O espírito dela espera na janela daquele quarto de hospital. Seu corpo há muito foi levado mas ela continua ali, numa espera sem fim. Quem sabe hoje ele aparece? Quem sabe ele aparece nessa janela e acaba com essa espera?

Nada é tão bonito quando um amor que não perde as esperanças. Mesmo um amor não correspondido, quando há esperança ele continua a impulsionar aquela que já deveria ter morrido.

Estranho é como temos medo do amor. Estranho é como mesmo assim somos descuidados com ele. Uns fingem que ele não existe. Outros o negam a si mesmos. Outros o vêem onde só há desejo. Outros o dão sem o ter. Outros tem mas não entregam a ninguém. Uns o entregam livre porque não o querem para si. Outros o querem tanto para si que não o deixa livre.

O equilíbrio das emoções parece ser a chave para uma multidão de problemas emocionais. Se ao menos estudássemos menos para o vestibular/concursos e tratássemos de conhecer essas verdades... que importância teria o dinheiro e o status social? Pra que nos serve o sucesso profissional se antes não soubermos segredo do nosso sorriso?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Medidas incompreendidas

Ao me entregar demais fiz você pensar que eu seria o seu rapaz

Se te falei que você era uma mulher linda, igual a uma flor
Saiba que é tudo verdade
Mas isso não significa que eu não tenha um jardim com flores mais belas ainda

Eu sou assim com minhas palavras de medidas incompreendidas
E ao exagerar a verdade acabo me passando por mentiroso
Mas como contemplar o maravilhoso, com os olhos de quem se limita em medidas?

Eu não me encaixo nessas medidas
E eu sei que o resto das pessoas também não
Por que elas lutam tanto por um espaço numa sociedade que não lhes aceita como são?
Ao fugir do padrão, a sociedade não lhes garante nem o pão, nem o caixão

E ela sai com a cabeça erguida
Pensando haver conquistado mais um pra sua coleção
Mal sabe que sou feito com a porcelana mais fina
Basta que abra a porta para outros e o vento me derruba despedaçando-me no chão
Levando assim facilmente os pedaços para a casa de quem abra sua porta para mim
Porque sou peça única
E enquanto trabalhar em mim que não pense em outra coisa
Que eu não te contarei por quantas mãos fui feito e refeito
Sem obedecer perfeitamente as formas que me deram
Porque tenho medidas incompreendidas

sábado, 12 de setembro de 2009

Hoje o amor morreu

Percorri milhas em seus lábios
E agora, o que ficou?
Um vazio, um fim de caminho
Uma dor de quem não tem mais por quem sofrer.

Nunca consegui te descrever de outra forma
Um raio de sol
Desses que ilumina e esquenta o coração
Desses que enche o mundo de cores.

Não sei aonde quero chegar escrevendo essas coisas
Estou tão desiludido que não importa
Porque hoje a morte sorriu
Hoje o amor morreu.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Vida ou Liberdade?

Pergunta do fórum de Deontologia Jurídica: O que é mais importante, a Vida ou a Liberdade? Justifique sua resposta e comente as colocações pessoais de seus colegas de turma.

Percebi que a grande parte dos alunos responderam desta forma: “A vida, pois existe vida sem liberdade, mas não existe liberdade sem vida, então o direito à vida é mais importante.”.

Esta foi a minha resposta para eles:

“A liberdade é mais importante, pois é ela que justifica a vida. Se a vida é mais importante que a liberdade, como distinguir um robô de um escravo, se ambos só executam ações? Podem dizer que o escravo pode se rebelar contra o seu senhor, mas ele NUNCA fará isso enquanto valorizar mais a vida do que a liberdade. Ou seja, o que diferencia os dois é que o ser humano pode valorar outras coisas além da vida e o robô vive a "vida" em si sem maiores considerações. Apenas existe. 

É justamente este tipo de pensamento em que se valoriza mais a própria vida do que qualquer outra coisa que nos faz seres altamente covardes, que nos faz enxergar apenas o nosso próprio nariz, negando a vida do outro. Alguém pode dizer que valoriza igualmente a própria vida como a dos outros, mas como é que se ajuda alguém sem sacrifícios? E o que é o sacrifício senão a negação da própria vida em prol do outro? Aquele que valoriza a vida acima de todas as coisas não pode igualmente valorizar a do outro. 

Agora eu deixo uma pergunta para facilitar a resposta da outra pergunta: Existe alguma coisa pela qual valha a pena morrer?

A explicação de que sem vida não há liberdade é fraca e não se sustenta. Ora, se você não está vivo, que diferença faz ter liberdade ou não? Você nem existe. Não há o que falar sobre o que um cadáver deseja. Vamos nos manter no que os vivos preferem sim? 

A questão é que sem liberdade, o ser humano recusa a vida. Para ele é mais importante a liberdade. A estagnação numa situação o faz ficar deprimido, perder a esperança no futuro, questionar a própria existência e finalmente cometer suicídio. 

Se perguntassem ao ser humano antes de nascer se ele iria querer viver uma vida sem nenhuma liberdade, ele diria que não. A vida por si só não faz o ser humano querer viver, mas a liberdade de poder lutar por sua felicidade sim. Não a vida, e sim a liberdade, pois sem liberdade o homem põe fim ele mesmo a sua vida. Melhor morrer numa guerra lutando por sua liberdade do que viver 50 anos sem.

E para os legalistas, vou lembrar que para a Constituição Federal o direito à liberdade se sobrepõe ao da vida. O indivíduo pode perder a sua liberdade em sentença transitada em julgado, quando fica comprovado o mau uso da liberdade e o risco à liberdade dos outros membros da sociedade. 

Mas no caso de guerra, haverá penas de morte no Brasil, uma vez que o Estado não respeitará as vidas que colocarem em risco a liberdade da nação, ou seja, a soberania de sua vontade em seu território."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Prazer e dor.

      Engraçado como o prazer está atrelado a dor. Não se pode eliminar um sem eliminar o outro também. Temos tanto medo de nos machucar que não vivemos. Temos tanto medo da dor que perdemos o prazer. Tanto medo de escrever alguma coisa que não seja genial que acabamos nem escrevendo.
     Atualmente, após gerações e mais gerações, estamos cada vez mais imersos na cultura do consumo. Sua ideologia é que não devemos negar nós mesmos, jamais. Todo desejo deve ser realizado. Culto ao prazer desenfreado. O que isto nos trouxe? Medo, muito medo da dor. Não existem mais revoltas, pessoas tem medo de tomar uma posição. Pessoas se entupindo de comida após a menor decepção. Pessoas escravizadas, "masofóbicas", que ao custo de maximizar o prazer acabam também maximizando as dores pelas menores coisas. Prazer e dor, de mãos dadas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A obra de arte.

No começo eu tinha um coração normal, batendo, cumprindo com suas funções fisiológicas.
Te vi e ele se tomou mole, fraco, dependente.
Ficamos juntos e ele se tornou um bloco de mármore.
Separamos e com as minhas lágrimas esculpi o mármore em uma obra de arte.

O durante e o depois.

Relacionamentos têm o seu tempo de duração.
Uns terminam antes do tempo. Outros já deveriam ter terminado há muito tempo.
Olhando para trás, para as pessoas por quem já me deixei, vejo o quanto é importante não perder tempo com coisas que não são eternas.
Sabe, picuinhas? Ah, você devia ter ido com tal roupa. Temos que fazer isso mesmo? Está atrasada.
Coisas que morrem ali mesmo, junto com o clima.
Era realmente necessário dizer essas coisas? Você teria morrido se não tivesse feito aquela cara feia? Você tinha que ser sincero e dizer que o filme que ela ama não é lá grandes coisas? Você tinha que mentir para ganhar aquela discurssão e faze-la se sentir como uma idiota?
Alias, uma coisa que eu odiava nos meus namoros era discurssão pra tentar me mostrar quem tinha razão. F****** a razão! Não interessa, vamos pra partir pra frente! Ficar demorando em quem tem razão do que. Não interessa, nada vai mudar o passado. Ainda quer ficar demorando nesse momento estragado... vamos nos alegrar logo! Vamos aproveitar que o nosso relacionamento tem um tempo.
Hoje eu tento ver "fins" como sendo algo inevitável, importante para o ciclo da vida. Mas eu realmente me pego pensando que eu devia ter aproveitado mais. Se só vai durar um ano, porque ficar perdendo tempo fazendo comentários maldosos que vão levar 15, 20 minutos, 1,2, 3 dias ou 1 ou 2 semanas para se explicar? Eu realmente fico com o coração apertado quando vejo alguém se negando a abrir mão de coisas pequenas pela namorada(o). Porque depois que acaba, você se arrepende tanto, mas tanto.. e fica aquela idéia martelando na sua cabeça: "Pqp, eu nunca vou poder me redimir agora. Nunca vou poder recompensa-la por tudo que ela já fez por mim.". É uma situação muito chata mesmo, e eu não vejo filmes, poetas ou livros falando sobre isso. Parece que é tudo bem quando termina sem chifres. Relacionamentos, como a vida, são vidas, e quando a morte chega, se passa um filmezinho na sua cabeça mostrando tudo que você fez com ela. É a sua reação diante deste filme que determina se você vai pro inferno ou pro céu.

Nada mais, por enquanto.